Ministério Público denuncia policial por ataque à sede do PT

Anderson Luís Amâncio teria usado o próprio carro para levar artefatos e foi reconhecido por uma testemunha como a pessoa que os arremessou

, atualizado

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O Ministério Público estadual apresentou à Justiça denúncia (acusação criminal formal) contra o Cabo da Polícia Militar Anderson Luís Amâncio, apontado pela Polícia Civil como responsável por ataque com coquetéis Molotov à sede do PT em Ribeirão Preto. A promotoria pede a abertura de uma ação penal contra ele pelo crime de dano, agravado pelo uso de substância inflamável.

O crime tem pena prevista de seis meses a três anos de prisão. Uma condenação também pode levar à perda do cargo público.

O atentado aconteceu no dia 11 de abril e foi denunciado à polícia dois dias depois. Não havia ninguém no imóvel durante a ação.

Segundo a investigação, Amâncio usou o próprio carro para levar os explosivos até Avenida Santa Luzia, no Jardim Sumaré, onde fica o prédio usado pelo partido e atirou os artefatos.

A ação foi registrada por câmeras de segurança do próprio PT e de empresas vizinhas. Uma testemunha também identificou o policil militar.

Ele foi intimado duas vezes para prestar depoimento no inquérito, mas não compareceu à delegacia.

A SSP (Secretaria estadual de Segurança Pública) foi questionada pela reportagem sobre a denúncia contra o PM, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.

Segundo o Portal da Transparência do governo estadual, Amâncio tem matrícula ativa como Cabo da PM. Ele chegou a processar o Estado por lhe negar uma licença médica no início deste ano, mas a ação foi julgada improcedente. Ele alegou problemas psicológicos, mas a junta médica da PM não ratificou o diagnóstico.

Em nota, o PT afirmou que o esclarecimento do crime era fundamental.

"A sede de um partido político é mais do que um imóvel. É um espaço de reunião, debate, formação, organização popular e exercício da cidadania. Quando esse espaço é atacado com fogo, o alvo não é apenas uma parede, uma janela ou uma fachada. O alvo é a democracia. A denúncia apresentada demonstra que a apuração avançou e que os elementos reunidos pelas autoridades foram considerados suficientes para a abertura da ação penal.