Rely pode voltar ao Brasil com modelo híbrido

Com 5,45 metros de comprimento e até 479 cv, Stockman está no centro de uma disputa envolvendo Caoa Chery e Omoda & Jaecoo

, atualizado

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Configuração comercial brasileira não foi detalhada oficialmente
Configuração comercial brasileira não foi detalhada oficialmente - Foto: Divulgação
Configuração comercial brasileira não foi detalhada oficialmente - Foto: Divulgação

O mercado brasileiro de picapes pode ganhar mais um concorrente de origem chinesa. A Rely, divisão de veículos comerciais do grupo Chery, está cotada para voltar ao país com a Stockman, uma picape média de 5,45 metros de comprimento, maior que a Toyota Hilux. A novidade chama atenção não apenas pelas dimensões e pela motorização híbrida a diesel, mas também pela discussão em torno da marca que ficará responsável por sua comercialização.

A possibilidade de retorno foi noticiada pela revista Quatro Rodas em 26 de outubro.

A questão envolve a estrutura do próprio grupo chinês. A Chery mantém parceria com a Caoa no Brasil, enquanto Omoda & Jaecoo desenvolve sua operação com identidade própria. Como a Caoa já indicou a picape Himla para sua estratégia no segmento, a Stockman abre espaço para uma alternativa dentro do conglomerado.

A Jaecoo também poderia receber um veículo com proposta aventureira, embora isso envolva decisões de posicionamento e adaptação visual. A Rely, por sua vez, já é utilizada na China para identificar veículos comerciais e aparece como uma possibilidade para a futura operação brasileira.

Maior que a Hilux

A Chery Stockman mede 5,45 metros de comprimento e tem 3,25 metros de distância entre-eixos. Para efeito de comparação, a Toyota Hilux possui aproximadamente 5,32 metros de comprimento e 3,08 metros entre os eixos. A diferença favorece a chinesa nas dimensões externas, embora o tamanho, isoladamente, não determine espaço interno, capacidade de carga ou desempenho.

A proposta é combinar porte, capacidade de trabalho e tecnologia. Entre os equipamentos divulgados estão tração integral, bloqueios dos diferenciais dianteiro, central e traseiro, pneus de uso misto e suspensão traseira com feixes de molas, solução tradicional em picapes.

A caçamba mede 1,56 metro de comprimento. A capacidade de carga informada chega a uma tonelada, enquanto o reboque com freio pode alcançar 3.495 quilos.

Híbrida e diesel

O conjunto mecânico é um dos principais diferenciais da Stockman. A picape utiliza um motor 2.5 turbodiesel de quatro cilindros associado a propulsão elétrica e bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) de 34 kWh. Trata-se de um sistema híbrido plug-in, que permite recarregar a bateria externamente e rodar utilizando exclusivamente eletricidade dentro dos limites de autonomia disponíveis.

A potência combinada divulgada pela imprensa especializada chega a 479 cv, com torque de 81,5 kgfm. Já a ficha técnica australiana informa 350 kW e 800 Nm, valores equivalentes a aproximadamente 476 cv e 81,6 kgfm. A pequena diferença decorre da conversão e do arredondamento dos números publicados.

A autonomia elétrica anunciada é de até 96 quilômetros pelo ciclo WLTP. Esse alcance se refere aos dados divulgados para o mercado australiano e não deve ser confundido com uma medição homologada no Brasil. O desempenho real dependerá das condições de uso, do percurso, da carga transportada e do nível de energia disponível na bateria.

Tecnologia e desafio comercial

O interior também segue a tendência dos veículos chineses de incorporar telas amplas e conectividade. Na configuração divulgada para a Austrália, a Stockman oferece painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas, central multimídia de 15,6 polegadas e sistema de som com 14 alto-falantes. A lista inclui ainda recursos de assistência à condução.

Entretanto, conquistar espaço no Brasil exigirá mais do que números expressivos. A rede de concessionárias, a disponibilidade de peças, a assistência técnica, a garantia e o valor de revenda serão fatores decisivos para convencer consumidores que já conhecem marcas tradicionais.