Ribeirão registra 1,9 mil ataques de escorpião em 2025

Dado é da Secretaria municipal de Saúde e revela um aumento de 32,4% nas ocorrências em comparação com 2024

, atualizado

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Veneno inoculado por escorpiões representa um grave risco à saúde
Veneno inoculado por escorpiões representa um grave risco à saúde - Foto: Divulgação/Instituto Butantan
Veneno inoculado por escorpiões representa um grave risco à saúde - Foto: Divulgação/Instituto Butantan

Ribeirão Preto encerrou 2025 com 1.989 ocorrências de ataques de escorpião, conforme dados do painel da Secretaria Municipal da Saúde, 32,4% acima dos 1.502 casos registrados em 2024, ano que já havia sido marcado por alta expressiva. A cidade chegou ao novo total com uma média de quase 5 ataques por dia ao longo de 12 meses.

Os meses de verão mantiveram maior incidência, mas o levantamento também mostra aumentos em períodos tipicamente menos críticos, como novembro e dezembro, este com 254 casos, o maior número mensal do ano e 8% acima de outubro de 2023.

Especialistas em saúde pública e toxicologia alertam que a grande maioria das ocorrências está associada ao escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), espécie adaptada às áreas urbanas e considerada a mais perigosa da América Latina devido à sua toxina potente.

Segundo Camila Alvim, professora do curso de Biomedicina da Estácio, a presença recorrente desse animal nas cidades está diretamente relacionada às condições encontradas no ambiente urbano. “O escorpião-amarelo não é agressivo, mas reage quando é pressionado ou ameaçado. Ao buscar abrigo em ralos, frestas, caixas de gordura e pilhas de objetos dentro das casas, o contato com moradores acaba sendo inevitável”, explica.

Além do risco de picadas, os números revelam um fenômeno preocupante: apesar da queda geral observada após o recorde de 2023, o patamar de ataques continua elevado, com cidades sustentando médias altas ao longo do ano e ampliando a exposição de crianças, idosos e pessoas com comorbidades aos efeitos do veneno.

Camila reforça que a prevenção deve ser contínua e não restrita aos meses mais quentes. “Medidas simples, como vedar frestas, eliminar entulhos, manter quintais limpos e controlar insetos, especialmente baratas, que são a principal fonte de alimento dos escorpiões, têm impacto direto na redução dos acidentes”, afirma. Ela também alerta que o uso de inseticidas não é indicado, pois pode aumentar a agitação dos animais e elevar o risco de novos acidentes.

No município, a atualização de protocolos de atendimento prioriza assistência imediata a crianças de até 10 anos em unidades de emergência e orienta encaminhamento para avaliação médica em casos de adultos com sintomas moderados ou graves. Em caso de picada, a orientação é buscar atendimento médico sem demora: o tempo até a administração do soro antiescorpiônico pode ser decisivo para o desfecho clínico.