Em depoimento, ex-assessores de Lincoln confirmam 'rachada'

Esquema ocorreria desde 2017, segundo comissionado; defesa afirma que denúncia é política e indica falta de provas

, atualizado

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Dois ex-assessores do vereador Lincoln Fernandes (PL) afirmaram, em depoimento dado nesta quarta-feira (18) à Polícia Civil de Ribeirão, a existência de um esquema, comandado pelo parlamentar, que pressionava servidores comissionados a devolverem parte dos salários durante o período em que trabalharam no gabinete.O caso veio a público após o Ministério Público formalizar um pedido de investigação junto à Câmara. Além dos depoimentos já realizados presencialmente, outros denunciantes ainda devem ser ouvidos por videoconferência. O procedimento segue sob sigilo.

Foram ouvidos na Delegacia Seccional os ex-assessores Marcos Fabiano dos Santos, o Bin, e Ana Paula Vicentim. Ambos relataram a existência de uma suposta exigência de repasse de parte dos vencimentos ao vereador. Segundo Bin, o repasse começou em 2017, foi paralisado por alguns meses e depois voltou a ocorrer entre 2019 e 2020.

"Ele reuniu a gente e fez a seguinte proposta. 'Eu vou precisar que vocês devolvam parte do salário para que eu possa terminar de pagar esses compromissos que eu tinha feito antes. Esse compromisso vai durar por seis meses'. Aí, todo mundo aceitou", relatou o Marcos Fabiano.

Segundo os depoimentos, há ainda indícios de que assessores tenham recorrido a empréstimos consignados para viabilizar os repasses. O ex-assessor afirma ter entregue documentos e comprovantes bancários que apontariam transferências ao vereador.

DEFESA

A defesa do vereador nega as acusações e sustenta que não há elementos que comprovem as denúncias. O advogado Júlio Mossin afirmou que já apresentou documentação no âmbito do processo de cassação em curso na Câmara para rebater os relatos dos ex-assessores e que as denúncias são marcadas por irregularidades e têm clara conotação política. Procurada, a Polícia Civil disse que não comentaria o caso.