Ex-assessor denuncia André Rodini por quebra de decoro
Parlamentar perguntou, em grupo de Whatsapp, se teria ‘pobre fazendo pobrice’ em um evento no Mercadão Municipal
, atualizado
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A Câmara de Ribeirão Preto recebeu esta semana um pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o vereador André Rodini (NOVO). O autor da denúncia é Alexandre Meirelles Nogueira Ribeiro, ex-assessor do parlamentar. Segundo a representação, ele teria demonstrado “preconceito de classe” ao ser informado sobre a realização de um evento em comemoração aos 120 anos do Mercadão Municipal.
O denunciante apresentou um print da mensagem, em que informa o vereador sobre o evento, que teve um bolo de 90 quilos. Na resposta, Rodini questionou se haveria “pobre fazendo pobrice lá, pegando bolo com balde”.
Meirelles afirma ter repreendido o parlamentar e que, após esse episódio, foi exonerado do cargo a pedido dele.
“Ao associar a participação popular no aniversário de um patrimônio público à pobrice e ridicularizar a forma como cidadãos humildes buscam acesso aos alimentos distribuídos, o parlamentar feriu a honra coletiva da população ribeirão-pretana. A referida fala não se trata de mera crítica política, tampouco de opinião pessoal protegida pela imunidade parlamentar, podendo ser classificada sim como aporofobia (aversão a pobres). Tal atitude pode ser qualificada como absolutamente incompatível com a dignidade do cargo e com o respeito devido ao povo, sendo altamente reprovável”, diz um trecho da representação.
Em nota, Rodini disse ter se referido a um “meme” e que a denúncia é “oportunista”. “Deu entrada no conselho de Ética uma averiguação de conduta da minha parte por um meme de Internet que corriqueiramente usamos aqui no gabinete, um espelho de uma página da Internet, como se fosse uma posição minha, o que não procede. É sem base e acredito que seja um fato isolado e oportunista em ano eleitoral", declarou o parlamentar.
A assessoria de imprensa da Câmara de Ribeirão Preto confirmou o recebimento da denúncia e o início de sua tramitação na casa.
“Conforme estabelece o Regimento Interno da Casa, o pedido será lido na primeira sessão ordinária do ano legislativo. Na mesma sessão, o plenário deliberará, por meio de votação, sobre a admissibilidade da denúncia e a eventual instalação da Comissão Processante. A Câmara reforça que todo o trâmite seguirá rigorosamente o que determina a legislação vigente, assegurando o devido processo legal, o direito à ampla defesa e a transparência dos atos parlamentares”, diz a nota encaminhada ao Jornal Ribeirão.