'Circo deve ser registrado e documentado, mas também reinventado'

Embaixador do Circo Mirage, Marcos Frota fala sobre tradição e inovação no picadeiro

, atualizado

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Dono de papéis reconhecidos pelo público na TV e no teatro, Marcos Frota é o nome mais falado do Brasil quando o assunto é arte circense.

Na semana em que o Circo Mirage - do qual ele é embaixador e anfitrião - estreia em Ribeirão Preto, ele concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Ribeirão sobre o espetáculo, que propõe uma evolução do modelo tradicional, combinando tradição circense (trapezistas, malabaristas, palhaços, acrobatas, números como o "Globo da Morte", entre outros) com recursos modernos de produção: iluminação digital, som de última geração, telão de LED, climatização, estrutura grandiosa, praça de alimentação própria, conforto para público e artistas.

Sua inspiração estética e de produção é fortemente influenciada por espetáculos glamorosos e shows de Las Vegas, EUA. O Mirage Circus é uma experiência imersiva, visual e emocional, que combina magia e entretenimento, criando um espetáculo único a cada apresentação.

Frota também opina sobre a formação de novos artistas, o uso de tecnologia nos espetáculos e a tradição do picadeiro. A estreia do Mirage acontece neste sábado (11). Para mais informações sobre horários e ingressos, acesse o nosso portal: www.jornalribeirao.com.br

Jornal Ribeirão: Manter a tradição do circo viva na era digital, disputando a atenção com telas e redes sociais, é um desafio. Como o Mirage consegue encantar desde as crianças pequenas até os adultos hoje em dia?

Marcos Frota: O Mirage Circus busca, já há algum tempo, a linguagem do musical, pois o circo não pode se afastar das tendências contemporâneas, sob o risco de perder a conexão com seu público, que se renova constantemente. O Mirage é um projeto inquieto, que propõe desafios constantes à sua equipe para oferecer sempre o melhor.

O Mirage Circus traz a Ribeirão Preto um novo espetáculo. São novos números, novas atrações e uma abordagem voltada para o musical circense, onde todos cantam, dançam, saltam, interpretam e, claro, fazem muito circo — um circo para valer, com consciência de sua força histórica e feito com muito amor.

Existe um compromisso claro em surpreender o público. A discussão sobre o circo ser o passado, o presente ou o futuro faz parte de uma reflexão constante, mas o que realmente importa é o agora: aquele momento vivo de encontro e encantamento, onde público e artistas se surpreendem e se desafiam juntos. Para isso, é necessário muito trabalho, responsabilidade e a felicidade de acreditar que, por meio da arte, é possível contribuir para o desenvolvimento cultural do país.

Quais são os principais destaques do elenco que se apresenta nesta temporada? Há alguma atração que costuma arrancar mais suspiros ou aplausos do público?

O Mirage Circus chega a Ribeirão Preto com sua equipe para realizar uma temporada absolutamente surpreendente, mágica e de muito sucesso, pautada no respeito mútuo com o público.

A nova geração do universo artístico tem mostrado um caminho promissor, repleto de possibilidades. Hoje, para atuar no circo, é preciso uma preparação completa: saber cantar, dançar, saltar e interpretar. Mais do que nunca, a arte circense está intimamente ligada à dança. Atualmente, essa linguagem está presente tanto nos picadeiros tradicionais pelo mundo quanto em grandes espetáculos de rock, teatro, musicais, navios, parques temáticos e resorts, abrindo diversas frentes para os jovens talentos. Todos os estilos, identidades e expectativas são bem-vindos na arena, cada um com sua força e personalidade.

Nos últimos anos, o ensino de artes circenses se popularizou em espaços culturais pelo Brasil. Como você vê a formação de novos artistas para o segmento?

É muito positivo ver a proliferação de escolas e cursos livres de formação circense pelo país. Essa pluralidade traz novas mentalidades, maior preparação e uma sinergia rica com outras áreas artísticas. Embora exista o circo de tradição raiz, que passa de geração para geração com resiliência e respeito à história, as novas iniciativas são fundamentais para revigorar o setor. O circo precisa ser documentado e registrado, mas também constantemente reinventado.

Para quem ainda está em dúvida ou acha que circo é uma arte do passado, qual é o seu convite especial para os leitores e espectadores do Jornal Ribeirão?

Toda a tecnologia utilizada — como telões de LED, iluminação moderna, ar-condicionado e efeitos especiais — está rigorosamente a serviço do talento do artista circense. A tecnologia deve potencializar o espetáculo, mantendo a essência clássica e, ao mesmo tempo, modernizando-se para dialogar com todas as idades. Ribeirão Preto, como uma cidade de grande relevância e referência nacional, está plenamente à altura de receber um evento dessa magnitude.