Tecnologia na escola: o que avaliar antes da matrícula de 2027

Famílias devem ir além da estrutura física e observar como os recursos digitais são usados no aprendizado

, atualizado

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Educação política passa a integrar currículo escolar brasileiro
Educação política passa a integrar currículo escolar brasileiro - Foto: Agência Brasil
Educação política passa a integrar currículo escolar brasileiro - Foto: Agência Brasil

O que observar na escolha da escola

Na hora de decidir uma matrícula ou rematrícula para 2027, as famílias precisam ir além da aparência da escola e da lista de equipamentos disponíveis. O uso de lousas digitais, plataformas de ensino e ferramentas de inteligência artificial deve ser analisado em conjunto com a proposta pedagógica, a atuação dos professores e a forma como a instituição acompanha a aprendizagem dos estudantes.

Esse olhar ficou ainda mais importante com a ampliação das restrições ao uso de celulares nas escolas brasileiras. Dados do Pisa 2025 mostram que 81% dos estudantes no Brasil frequentavam escolas que proibiam o aparelho, enquanto a média entre os países da OCDE foi de 49%. O levantamento também indica que os alunos brasileiros usam dispositivos digitais para atividades de aprendizagem, em média, 1,3 hora por dia.

Quando a tecnologia ajuda de verdade

O tempo de uso, porém, não basta para medir a qualidade do recurso. Mais importante do que a presença de tecnologia é a forma como ela é inserida nas aulas e se ela realmente contribui para ampliar a participação dos alunos, esclarecer conteúdos e estimular o raciocínio. A escolha do recurso precisa estar conectada ao objetivo da atividade e ao modo como o professor conduz o trabalho em sala.

Em Ribeirão Preto, o Colégio Bento Benedini usa lousas digitais para apresentar conteúdos com imagens, gráficos e modelos tridimensionais. Segundo a instituição, esse tipo de ferramenta torna as aulas mais dinâmicas e ajuda os alunos a participarem de maneira mais ativa. Em matemática, por exemplo, a visualização em 3D permite explorar formas e relações espaciais de um jeito mais concreto.

Perguntas que as famílias devem fazer

Durante visitas e conversas com a coordenação, os pais podem pedir exemplos de aulas e projetos que usam recursos digitais, perguntar como os professores são preparados para isso e entender de que forma a escola acompanha a compreensão dos conteúdos. Também é importante saber quais são as regras para o uso da inteligência artificial, especialmente sobre checagem de informações e autoria dos trabalhos.

Outro ponto relevante é observar o equilíbrio entre atividades digitais e práticas tradicionais, como leitura, escrita, debates e trabalhos coletivos. Esse conjunto de informações ajuda a mostrar se a tecnologia faz parte de uma proposta pedagógica consistente ou se aparece apenas como recurso de divulgação. Para a escolha de 2027, conhecer exemplos concretos do trabalho com as turmas pode ser decisivo para uma decisão mais segura.

Inteligência artificial traz novos desafios à avaliação

O avanço das ferramentas digitais também altera as questões que chegam à sala de aula. Para o professor Sheldon Assis, consultor pedagógico da MOVPLAN, a capacidade da inteligência artificial de produzir textos, responder perguntas e elaborar apresentações exige atenção à forma como os estudantes constroem o conhecimento.
“Quando uma ferramenta consegue entregar uma resposta em segundos, precisamos observar como o aluno chegou àquela conclusão. Saber pesquisar, verificar fontes e explicar o próprio raciocínio faz parte do aprendizado. Cabe à escola ensinar o estudante a usar esses recursos com critério”, afirma.

Esse cenário também traz implicações para a avaliação escolar. Assis defende que, além do trabalho entregue, os professores observem como o estudante argumenta, resolve problemas e aplica os conteúdos. A formação continuada dos docentes é apontada por ele como uma condição para incorporar essas ferramentas ao planejamento pedagógico.

A preparação envolve relacionar os recursos aos objetivos de ensino e oferecer condições para seu uso cotidiano. Tempo para conhecer as ferramentas, orientação pedagógica e apoio diante de dificuldades fazem parte desse processo.