Cesta básica dispara e já consome quase 60% do mínimo
Levantamento da Acirp mostra alta de 2,88% nos alimentos em junho; trabalhador já precisa comprometer 57% da renda mensal apenas para comprar itens básicos em Ribeirão Preto
, atualizado
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Fazer supermercado em Ribeirão Preto ficou ainda mais pesado em junho. Levantamento da Acirp, elaborado pelo Instituto de Economia Maurílio Biagi (IEMB-Acirp), mostra que a cesta básica subiu 2,88% no mês e passou a custar, em média, R$ 861,25.É mais um golpe direto no orçamento das famílias, que seguem vendo o salário perder força diante da inflação dos alimentos.
O estudo foi realizado presencialmente em 11 hipermercados e cinco padarias espalhados pelas regiões da cidade. E o aumento veio em todas elas.A região Central registrou a cesta mais cara de Ribeirão: R$ 916,91.
Na outra ponta, a Zona Oeste teve o menor custo médio, ainda assim em elevados R$ 796,06.A Zona Leste chamou atenção pelo maior salto no mês: alta de 4,52%. Os principais responsáveis pela disparada vieram do hortifruti. A batata inglesa explodiu 17,42%. O tomate italiano subiu 9,14%, enquanto a banana nanica avançou 8,03%.
MAIS DADOS
Segundo o levantamento, o frio, a entressafra e a menor oferta ajudaram a pressionar os preços. Resultado: produtos básicos viraram artigos cada vez mais caros no carrinho do consumidor. Houve pequenas quedas em alguns itens, como o arroz branco (-6,86%) e a alcatra (-1,72%), mas insuficientes para frear o avanço geral da cesta, indica a pesquisa.
""De forma geral, os resultados indicam nova elevação no custo da cesta básica em junho, ainda que em ritmo mais moderado que nos dois meses anteriores, concentrada principalmente em itens de hortifruti, com aumento das horas necessárias de trabalho e maior comprometimento da renda em relação a maio. Esse movimento indica continuidade da redução do poder de compra no período,mantendo a alimentação como componente central do custo de vida das famílias", avaliou a pesquisa.
E o dado mais preocupante talvez esteja no impacto sobre o trabalhador.Considerando o salário mínimo líquido estimado em R$ 1.499,43, um trabalhador comprometeu 57,44% da renda mensal apenas para comprar alimentação básica em junho.Na prática, isso significa trabalhar cerca de 126 horas do mês somente para colocar comida na mesa.
Mesmo com desaceleração em relação aos meses anteriores, o levantamento mostra que o custo de vida continua avançando silenciosamente sobre o orçamento das famílias — especialmente das mais pobres, que já destinam a maior parte da renda à alimentação.
As carnes seguem como o principal peso da cesta básica, representando 41,87% do total gasto. Em seguida aparecem frutas e legumes, com 28,77%.