Cesta básica dispara em abril e já encosta nos R$ 800 em Ribeirão

Alta pressiona o bolso das famílias, amplia o endividamento e escancara o peso dos alimentos no orçamento doméstico

, atualizado

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A cesta básica ficou mais cara em Ribeirão Preto e já se aproxima de R$ 800, num movimento que amplia a pressão sobre o orçamento das famílias e ajuda a explicar o avanço do endividamento. Levantamento da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) aponta que o custo médio dos produtos essenciais chegou a R$ 792,50 em abril, com alta de 6% no mês.

O reajuste foi puxado principalmente por tomate, leite e feijão, itens de forte presença no consumo diário e que pesam diretamente no bolso da população. "Em um cenário de renda apertada, o aumento dos alimentos básicos reduz a capacidade de compra, afeta o planejamento doméstico e dificulta ainda mais o equilíbrio das contas", informa o economista Miguel Colares.

.O avanço da cesta básica em Ribeirão não ocorre de forma isolada. Dados citados na análise econômica mostram que a alta foi registrada nas 27 capitais pesquisadas pelo Dieese pelo segundo mês consecutivo. Em São Paulo, o custo da cesta gira em torno de R$ 900, o maior do país.

RENDA FAMILIAR

Segundo dados do Dieese, os gastos com comida já representam quase 30% da renda familiar, acima dos cerca de 25% registrados seis anos atrás. O aumento desse peso mostra como a renda disponível está sendo consumida cada vez mais pelo básico, deixando menos espaço para poupança, lazer, compras no varejo e até investimentos em saúde e educação.

Em Ribeirão Preto, o encarecimento da cesta básica funciona ainda como sinal de alerta para a economia local. Quando os produtos essenciais absorvem uma fatia maior do orçamento, o reflexo costuma aparecer rapidamente em outros setores, com consumo mais seletivo, adiamento de compras e maior cautela por parte do cliente no comércio. "Com a cesta básica rondando os R$ 800, o impacto já vai além da estatística. Ele aparece na rotina das famílias, no aperto do fim do mês e na dificuldade crescente de manter um padrão mínimo de consumo sem comprometer ainda mais a renda", afirma Colares.

produtos

Os principais destaques de variação com alta de preços observados no período foram tomate italiano ( 25,48%), leite de caixinha ( 18,89%) e feijão carioca ( 11,56%). No caso do tomate, o aumento é atribuído à redução da oferta no mercado atacadista - a maturação e a colheita antecipadas influenciaram no volume.

Já o leite refletiu a menor oferta no campo, influenciada pela sazonalidade da produção e pela postura mais cautelosa dos produtores em relação a novos investimentos. A situação é combinada ao avanço dos custos de produção, o que sustentou os preços da matéria-prima e dos derivados.

O feijão carioca, por sua vez, subiu em um contexto de safra menor e estoques reduzidos. A remuneração mais baixa desestimulou o plantio, enquanto o clima prejudicou a colheita.

Em sentido oposto à média da cesta, o açúcar cristal (-4,59%) e a banana nanica (-2,57%) apresentaram movimentos de queda dos preços, impedindo um aumento ainda maior do kit básico de alimentos no mês.