Crédito caro complica cenário e ameaça meta de negócios
Juros altos, crédito restrito e produtor mais cauteloso deve impactar resultados da feira, que termina nesta sexta (1); governo federal anuncia R$ 10 bilhões em financiamentos no evento
, atualizado
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A Agrishow 2026 chega à reta final em Ribeirão Preto sob um cenário que ajuda a explicar o tom de cautela entre fabricantes, bancos e produtores: o crédito caro já ameaça o resultado da feira. Embora o evento siga até sexta-feira (1º), a expectativa no setor é de que as negociações avancem, mas sem repetir com facilidade o fôlego visto em edições anteriores, quando a demanda por máquinas e implementos encontrou um ambiente financeiro mais favorável.
O pano de fundo é conhecido. Juros elevados, custo de produção pressionado e incertezas externas têm levado o produtor a segurar decisões de investimento, especialmente em equipamentos de alto valor. Na prática, isso reduz a velocidade das vendas e obriga as empresas a apostarem mais em linhas de financiamento, prazos alongados e condições comerciais diferenciadas para transformar interesse em contrato.
Na feira, o negócio depende menos da vitrine e mais da conta que fecha no banco.Esse quadro pesa sobre a principal feira de tecnologia agrícola da América Latina justamente num momento em que o setor tenta sustentar sua força econômica. Em 2025, a Agrishow registrou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios, um recorde que elevou a régua de expectativa para esta edição.
Agora, porém, a leitura predominante é de prudência. Mesmo com a presença de grandes marcas, lançamentos e projeções de público na casa dos 200 mil visitantes, o resultado final tende a refletir a dificuldade do produtor em tomar crédito e a maior seletividade das compras. "Esta feira é o maior exemplo de resiliência do setor", afirmou João Carlos Marchesan, presidente da Agrishow, ao comentar o momento do setor agrícola no País.
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A feira ainda carrega anúncios relevantes. O governo federal prometeu R$ 10 bilhões em financiamento para máquinas agrícolas, enquanto o governo paulista lançou um pacote de R$ 455 milhões em crédito rural. Mas, no mercado, a percepção é de que o volume anunciado nem sempre se converte com rapidez em contratação efetiva.
Sem crédito compatível com a renda do campo, a tendência é de negócios mais defensivos e foco em reposição, manutenção de frota e soluções de produtividade imediata.Até sexta-feira, a Agrishow seguirá como termômetro desse humor. Se as intenções de compra avançarem, o setor poderá falar em resistência. Se o crédito continuar travando decisões, a feira encerrará mais uma edição mostrando que, no agronegócio, tecnologia sozinha não basta: é o financiamento que define o ritmo dos negócios.