Cenário de guerra impulsiona debate sobre futuro da cana
Evento em Ribeirão Preto reúne 'pesos pesados' do setor, que esperam oportunidades para o mercado de biocombustíveis, como resposta a alta nos preços da gasolina e do diesel
, atualizado
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Os principais produtores de cana-de-açúcar da região se reuniram esta semana, em Ribeirão Preto, para discutir oportunidades para o setor em meio a mais uma crise internacional de petróleo. O cenário internacional foi um dos temas do Cana Summit, realizado pela Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasi).
O Brasil registrou queda de mais de 14% nas exportações de Etanol em 2025, na comparação com o ano anterior, cenário que pode ser alterado com a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel.
"As discussões vão pairar sobre o Golfo Pérsico, a guerra que está acontecendo entre Irã, Israel e Estados Unidos. Obviamente isso afeta diretamente o preço do barril do petróleo, que impacta os produtores de duas formas: nos custos, através do diesel e fertilizantes, mas em contrapartida o preço da gasolina do mundo deve aumentar e isso demonstra mais uma vez a importância do etanol. Ele traz a solução, resolvendo os pontos para esse conflito geopolítico", avalia José Guilherme Nogueira, CEO da organização.
O conflito é tema de um dos painéis do evento.
A cerimônia de abertura do Cana Summit contou com a presença de autoridades como o governador Tarcísio de Freitas.
Acordo
Nesta quinta-feira (16), ao final do evento, Orplana e Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) vão ratificar a assinatura do memorando de de Entendimento (MoU) que consolida um novo patamar para o CONSECANA-SP — principal referência na relação entre produtores e indústria em todo o estado de São Paulo.
O acordo tem dois eixos: a implementação integral da revisão técnica e econômica do modelo, a partir do trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro), e a modernização da governança do CONSECANA-SP, com regras mais estáveis para toda a cadeia.
Os critérios técnico-econômicos serão atualizados e a representação de indústria e produtores nas decisões do setor, reforçada — com consolidação da participação do produtor de cana.
"Este acordo representa a maturidade do nosso setor. Indústria e produtores reafirmam que sabem construir juntos — e é isso que nos torna referência", afirma Evandro Gussi, Presidente-Executivo da UNICA.
"A ORPLANA sempre defendeu rigor técnico e governança paritária. Este MoU honra esses dois princípios e abre um ciclo promissor para o Setor" completou Roberto Cestari, Presidente do Conselho da ORPLANA.