Polícia investiga GCMs por furto na Secretaria de Infraestrutura
Servidores municipais são suspeitos de desviarem peças automotivas apreendidas, que estavam armazenadas no local
, atualizado
Compartilhar notícia
A Polícia Civil investiga dois GCMs (Guardas Civis Metropolitanos) de Ribeirão Preto pelo furto de peças automotivas apreendidas, que estavam armazenadas na Secretaria municipal de Infraestrutura. O DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) cumpriu mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (16), o que gerou o afastamento dos servidores.
A investigação teve início após denúncia sobre o sumiço de uma motocicleta roubada, que tinha sido recuperada pela polícia. O dono do veículo esteve no pátio para retirá-la, mas ela não foi encontrada pelos servidores que realizam o controle do pátio.
Segundo a assessoria de imprensa da SSP (Secretaria estadual de Segurança Pública), o motor dessa moto foi localizado durante as diligências cumpridas.
Também foram registrados "sumiços" de escapamentos apreendidos em diferentes operações de fiscalização. O material tinha registro de entrada, mas não de saída. Parte desses itens teria sido localizada na casa de um dos suspeitos.
"Durante as diligências, foi localizado o motor de motocicleta que deu origem à investigação, além de outras peças automotivas relevantes para a apuração. Dois guardas civis municipais são investigados", afirmou a pasta estadual.
Investigação
Imagens das câmeras de segurança da Secretaria de Infraestrutura mostram os GCMs entrando na secretaria durante a noite, abrindo o porta-malas da viatura e colocando objetos no interior do veículo. A ação irregular teria ocorrido no dia 2 de setembro, mas há registro em vídeo dos mesmos guardas, em situação semelhante, no feriado do dia 7.
Um terceiro guarda, responsável pela vigilância da unidade, chegou a ser investigado, mas sua participação no caso foi descartada pelos investigadores.
Como os suspeitos são servidores públicos, a Polícia Civil investiga o caso como peculato, que é o desvio de bens ou valores que estejam sob a guarda funcionários públicos em razão do cargo. A pena varia de dois a 12 anos de prisão.
Novos depoimentos devem ocorrer nos próximos dias. Não há prazo previsto para conclusão das investigações.
A Prefeitura de Ribeirão Preto, em nota, afirmou que colabora com as investigações e "não compactua com qualquer conduta ilegal".
"Com a identificação do possível envolvimento de agentes da GCM, os servidores foram imediatamente afastados das funções, tiveram o armamento recolhido e foram colocados à disposição da Polícia Civil para prestar esclarecimentos. Nesta quarta-feira (16), eles estão no Centro de Polícia Judiciária (CPJ), onde prestam depoimento. Paralelamente à investigação criminal, a GCM instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta funcional dos envolvidos. Caso sejam comprovadas as irregularidades e a responsabilidade dos agentes, serão aplicadas as penalidades previstas em lei", diz o texto.
A reportagem não localizou, até o fechamento desta edição, a defesa dos GCMs para se manifestar sobre a operação da Polícia Civil. O Sindicato dos Servidores de Ribeirão Preto informou que soube pela imprensa sobre o caso e não foi procurado para atuar em defesa dos agentes.