Brando Veiga calado, vê Câmara arquivar processo de cassação
Plenário rejeitou recebimento de denúncia por 18 a 3. Vereador manteve-se em silêncio por tempo. Ministério Público enviou Notícia de Crime Eleitoral à Polícia Federal.
, atualizado
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O plenário da Câmara de Ribeirão Preto (SP) rejeitou na noite desta segunda-feira (30) o recebimento do processo de cassação do mandato do vereador Brando Veiga, do Republicano, suspeito de utilizar assessoras de gabinete para trabalhar na campanha eleitoral do vereador na produção de mídias e vídeos para redes sociais durante a campanha eleitoral de 2024, além de ter utilizado duas notas fiscais “frias” para justificar os serviços das assessoras na prestação de contas eleitorais no TSE. A denúncia, apresentada por André Luiz Duarte, aponta possíveis práticas de quebra de decoro parlamentar, uso indevido de servidores públicos, gastos eleitorais irregulares e abuso de poder político e econômico.
Votaram a favor do recebimento da denúncia as três vereadoras do PT: Duda Hidalgo, Judeti Zilli e Perla Muller, e a denúncia foi arquivada por determinação da Mesa. O vereador André Rodini, do NOVO, justificou o voto a favor do não recebimento da denúncia, invocando o artigo 55 da Constituição Federal, parágrafo 1º, que trata do “Abuso das Prerrogativas do Parlamentar Empossado”, afirmando que os atos ocorridos antes da posse não são objeto de quebra de decoro parlamentar, mesmo que sejam relativos à campanha eleitoral que elegeu o agente político.
Matéria exclusiva do Jornal Ribeirão revela que o vereador Brando Veiga (REP) é acusado por duas ex-assessoras de utilizar seu gabinete durante a campanha eleitoral de 2024 e de usar notas fiscais "frias" apresentadas por uma fiel da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) para justificar um gasto de R$ 12 mil com recursos do Fundo Eleitoral. As ex-assessoras, que preferiram não ter seus nomes divulgados, afirmam ter realizado serviços de marketing digital durante o expediente, sob ordens diretas do pastor e vereador Brando e sua esposa, sem contratação formal ou pagamento por fora. Elas também alegam que, ao final da campanha, o vereador declarou notas de uma empresária da Igreja pelos serviços que efetuaram.