Volkswagen 1600 TL
Entre os Volkswagen que ajudaram a construir a história da indústria automobilística brasileira, o TL ocupa um lugar especial. Com desenho moderno para época e uma proposta mais sofisticada que o Fusca, o modelo conquistou seu espaço.
, atualizado
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O Volkswagen 1600 TL chegou ao mercado brasileiro em 1970, como modelo 1971. A ideia era oferecer ao consumidor um automóvel mais elegante e espaçoso, mas sem abandonar a conhecida mecânica Volkswagen. O resultado foi um carro de linhas fastback, quatro cilindros opostos, motor traseiro e refrigeração a ar.
O propulsor de 1.584 cm³ utilizava dois carburadores e entregava cerca de 65 cv de potência bruta. A transmissão era manual de quatro velocidades e a tração, traseira. Uma das características mais interessantes do TL era a presença de dois porta-malas, um na dianteira e outro na traseira, aproveitando muito bem a arquitetura do carro.
O desenho também chamava atenção. Desenvolvido no Brasil pelo departamento de estilo da Volkswagen, o TL tinha uma aparência mais sofisticada e esportiva que outros modelos da marca. Seu interior procurava transmitir essa mesma sensação, com acabamento mais elaborado e um painel de desenho característico.
Mas o primeiro visual não agradou completamente. Em 1971, a Volkswagen promoveu uma reestilização que deixou a dianteira mais baixa e inclinada. Nascia uma das versões mais conhecidas pelos colecionadores, apelidada de "Cabeça de Bagre", justamente por causa do formato da frente.
No mesmo período, o TL ganhou uma importante novidade: a versão quatro portas. A mudança aumentou a praticidade do modelo e ampliou seu público, inclusive com a intenção de disputar espaço no mercado de táxis.
O TL fazia parte de uma família importante da Volkswagen brasileira. Da plataforma e da mecânica do 1600 surgiram outros modelos marcantes, como a Variant e, posteriormente, projetos que ajudaram a consolidar a identidade da marca no país.
Entretanto, os tempos estavam mudando. Em 1973, a Volkswagen lançou a Brasília, modelo mais compacto e versátil. No ano seguinte, chegou o Passat, com uma concepção diferente: motor dianteiro, refrigeração líquida e tração dianteira.
Diante dessa nova geração de automóveis, o TL começou a perder espaço. Seu projeto, embora ainda eficiente e admirado, representava uma filosofia que a Volkswagen começava a deixar para trás.
Foram poucos anos de carreira, mas suficientes para transformar o modelo em um dos clássicos mais interessantes do Brasil.
Hoje, encontrar um TL bem preservado é motivo de comemoração. O modelo representa uma época de criatividade da indústria nacional, quando a Volkswagen buscava criar caminhos a partir da mecânica que havia feito do Fusca um fenômeno.
Mais do que um Volkswagen de motor traseiro, o TL é um retrato de uma época em que o Brasil começava a descobrir que seus carros também poderiam ter personalidade, estilo e identidade.