A Romiseta
Antes mesmo da indústria automobilística brasileira ganhar escala, um pequeno e curioso veículo já circulava pelas ruas chamando atenção por onde passava. Era a Romi-Isetta, conhecida popularmente como Romiseta.
, atualizado
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Antes mesmo da indústria automobilística brasileira ganhar escala, um pequeno e curioso veículo já circulava pelas ruas chamando atenção por onde passava. Era a Romi-Isetta, conhecida popularmente como Romiseta.
A história começa em 1956, quando a empresa Indústrias Romi, sediada em Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo, decidiu apostar em um veículo pequeno, econômico e urbano. Para isso, licenciou o projeto do microcarro europeu Iso Isetta, criado pela fabricante italiana Iso SpA.
O resultado foi um carro que parecia saído de um desenho animado: compacto, arredondado e com uma característica única a porta ficava na parte da frente. Ao abrir a porta, o volante se movia junto com ela, facilitando a entrada do motorista e do passageiro.
Um carro mínimo para tempos de mudança
A Romiseta tinha dimensões diminutas. Media pouco mais de dois metros de comprimento e era movida por um motor monocilíndrico de cerca de 300 cm³, capaz de gerar aproximadamente 13 cavalos de potência. Pode parecer pouco hoje, mas na época era suficiente para levar o pequeno veículo a cerca de 80 km/h, com um consumo extremamente baixo de combustível.
O carro tinha espaço para duas pessoas e um pequeno compartimento para bagagens. Em muitos modelos havia ainda uma terceira roda traseira, o que reforçava a imagem curiosa do veículo.
No final dos anos 1950, possuir um automóvel ainda era um privilégio para poucos brasileiros. Nesse cenário, a Romiseta surgiu como uma proposta mais acessível e prática, especialmente para deslocamentos urbanos.
O pioneirismo da indústria nacional
A Romiseta ganhou importância histórica por um motivo especial: foi o primeiro automóvel produzido em série no Brasil, com fabricação nacional oficializada antes mesmo da chegada das grandes montadoras estrangeiras.
Isso aconteceu em um período de transformação econômica do país, durante o governo de Juscelino Kubitschek, quando o plano de industrialização incentivou a instalação da indústria automobilística no território brasileiro.
Entre 1956 e 1961, cerca de 3 mil unidades da Romiseta foram produzidas. Embora o número seja modesto, o modelo abriu caminho para a consolidação da indústria automotiva nacional.
Pequena em tamanho, gigante em história
Com o passar do tempo e a chegada de carros maiores e mais modernos, a Romiseta acabou saindo de linha. Mesmo assim, nunca desapareceu da memória dos apaixonados por automóveis.
Hoje, encontrar uma Romiseta em perfeito estado é quase como ver uma peça de museu rodando pelas ruas. Restauradas por colecionadores, elas aparecem em encontros de carros antigos e despertam sempre a mesma reação: curiosidade, sorriso e nostalgia.
Afinal, aquele pequeno carro de porta frontal não foi apenas uma excentricidade da engenharia. Foi um dos primeiros passos da indústria automobilística brasileira e uma prova de que, às vezes, os grandes capítulos da história começam em veículos bem pequenos. Para mais histórias como essa siga: @autofocorp