Chevrolet Kadett

Houve um tempo em que ter um hatch médio na garagem era sinônimo de conquista. Não era apenas transporte. Era afirmação, juventude e futuro. E, no Brasil dos anos 90, poucos carros traduziram esse sentimento quanto o Chevrolet Kadett.

, atualizado

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Ele desembarcou oficialmente por aqui em 1989, produzido pela Chevrolet, mas sua história vinha de longe. O projeto nasceu na Alemanha, desenvolvido pela Opel, braço europeu da General Motors. A geração que conhecemos no Brasil era derivada do Kadett E europeu um carro que já carregava no DNA a proposta de modernidade e eficiência.

E modernidade era exatamente o que o brasileiro buscava naquele momento.

O fim dos anos 80 e o início dos 90 foram tempos de transformação. O país atravessava instabilidades econômicas, planos financeiros, abertura às importações. O consumidor começava a olhar para design, tecnologia e desempenho com mais atenção. O Kadett chegou como um sopro europeu em meio à frota nacional ainda marcada por linhas retas e soluções conservadoras.

Suas formas arredondadas, o amplo vidro traseiro, a aerodinâmica refinada tudo parecia mais avançado. Ele tinha presença.

Logo passou a disputar espaço com esportivos já consagrados, como o Volkswagen Gol GTI e o Ford Escort XR3. Mas o Kadett tinha personalidade própria. Não precisava exagerar para ser esportivo.

As primeiras versões traziam motores 1.8 e 2.0, mas foi a GSi que transformou o modelo em objeto de desejo. Motor 2.0 com injeção eletrônica, painel envolvente voltado ao motorista, bancos com apoio lateral generoso, aerofólio discreto na traseira. Era um carro que conversava com quem gostava de dirigir.

Dirigir um Kadett nos anos 90 era experimentar a sensação de estar um passo à frente.

Em 1995, veio o capítulo mais ousado: o Kadett Conversível. Produzido em parceria com a Envemo, era raro, elegante e caro. Rodar de capota aberta no interior paulista ou no litoral era quase um manifesto de estilo. Até hoje, é peça de colecionador.

Por dentro, o Kadett também mostrava evolução. Direção hidráulica, ar-condicionado, vidros elétricos, computador de bordo em algumas versões. Em uma década que ainda se adaptava à injeção eletrônica, isso era tecnologia de ponta.

Mas o tempo não perdoa projetos. Ao fim da década, o mercado exigia mais segurança, mais rigidez estrutural, mais atualização. Em 1998, o Kadett saiu de cena para dar lugar ao Chevrolet Astra, mais moderno e alinhado com a nova fase da indústria.

E assim se encerrava um ciclo.

Hoje, o Kadett é mais que um carro usado dos anos 90. É memória sobre rodas. É o hatch do primeiro salário, da viagem com fita cassete tocando no rádio, do encontro de sábado à noite. A versão GSi virou lenda. O conversível, raridade.

Alguns carros transportam pessoas. Outros transportam épocas.

O Kadett fez os dois.

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