Quando o Brasil abriu as portas do carro
Teve um tempo em que carro no Brasil tinha só duas portas. E ninguém achava estranho. Era assim que a gente entrava, saía, brigava pelo banco da frente e espremia quem ia atrás. Mas em 1963, um carro chegou para mudar até o jeito de a família se acomodar.
, atualizado
Compartilhar notícia
O Aero-Willys Itamaraty foi o primeiro automóvel quatro portas fabricado em série no Brasil. Hoje parece detalhe. Naquela época, era revolução.
Quem viveu lembra. Abrir a porta de trás não era comum. Era quase um gesto de respeito. Criança não precisava mais escalar o banco da frente, senhora entrava com mais conforto, e o motorista não precisava virar contorcionista para acomodar todo mundo.
O Itamaraty era grande, silencioso e imponente. Estacionado na rua, chamava atenção. Na garagem, ocupava espaço e orgulho. Tinha cara de carro importante e, muitas vezes, era mesmo. Transportou autoridades, empresários, noivas, famílias inteiras em domingos de visita.
Debaixo do capô, o seis cilindros ronronava baixo. Não era carro de pressa, era carro de chegada. Dentro, bancos largos, cheiro de estofamento novo e aquela sensação de que o carro fazia parte da casa.
Ele talvez não tenha sido o mais popular, nem o mais lembrado nas rodas de conversa. Mas foi o primeiro a mostrar que o carro brasileiro podia pensar em quem vai atrás, em quem viaja junto, em quem compartilha a estrada.
Depois dele vieram muitos outros. Opala, Galaxie, Dart. Mas foi o Itamaraty que ensinou o Brasil que carro também é espaço de convivência.
E quando a gente fala em quatro portas hoje, sem nem perceber, é porque um dia alguém abriu essa ideia pela primeira vez. para mais historias como essa siga @autofocorp