Justiça desmembra investigação sobre vínculo de ex-vereador com o PCC
Marcos Papa foi alvo de busca e apreensão em abril, mas não foi denunciado pelo MP após a conclusão da primeira fase do inquérito
, atualizado
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A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo pediram o desmembramento da investigação sobre o suposto vínculo do ex-vereador de Ribeirão Preto Marcos Papa com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Alvo de um mandado de busca na fase ostensiva da Operação Contaminatio, ele não foi denunciado pelo MP após a conclusão da primeira fase do inquérito, que apura um esquema de lavagem de dinheiro através de uma Fintech que prestava serviços a prefeituras.
A denúncia oferecida após essa fase cita crimes cometidos por cinco pessoas nas cidades de Mogi das Cruzes, Santo André e São Paulo. Segundo a acusação, eles usavam a 4TBank para dissimular a origem de recursos obtidos pela facção criminosa com a venda de drogas.
O grupo teria movimentado mais de R$ 500 milhões, sendo R$ 80 milhões em espécie, através de saques fracionados e pagamentos a empresas de fachada.
De acordo com os delegados e promotores responsáveis pelo caso, mesmo após dois meses da operação, ainda não foi possível analisar o material apreendido com o ex-vereador e suas conexões com outros investigados. A promotoria ressaltou, no entanto, que a investigação não foi arquivada em relação ao político de Ribeirão.
"Uma vez que ainda pendentes de análise os materiais apreendidos no cumprimento dos mandados de busca e apreensão, bem como a análise dos documentos obtidos com as quebras de sigilo fiscal. Pugnamos pelo desmembramento do feito, para a continuidade das investigações no que concerne aos delitos que não foram objeto de arquivamento", apontou.
Papa entrou na mira dos investigadores por conta de sua relação com Thiago Rocha de Paula, apontado como um dos operadores do grupo. Com ele, a polícia apreendeu um "plano de ação" para infiltrar a 4TBank em municípios, ampliando a movimentação financeira e permitindo a lavagem. O planejamento consistia em realizar reuniões com agentes públicos, apresentando a Fintech, e depois buscar contratos de prestação de serviços financeiros.
Após uma reunião no gabinete do ex-vereador, Thiago teria enviado uma mensagem ao líder do esquema, João Gabriel de Melo Yamawaki, comemorando "a entrada em Ribeirão Preto".
Ao Jornal Ribeirão, o ex-parlamentar afirmou que Thiago confirmou, em depoimento, que só se encontrou com ele uma vez. "Pelo que está no processo, o Thiago foi ouvido e disse isso: que esteve comigo uma vez e nada mais. Ele realmente esteve no meu gabinete e não é que não nos falamos mais. Ele nunca nem me escreveu! A bem da verdade eu nem lembrava, porque era tanta gente que passava por lá, mas depois que eu vi o processo lembrei. Estou esperando ser chamado para prestar depoimento, mas tem gente que acha que não vai precisar", disse Papa.