Falta de materiais, uniformes e manutenção gera reclamações no início do ano letivo
Em diferentes regiões de Ribeirão, escolas municipais sofrem com problemas estruturais
, atualizado
Compartilhar notícia
O início do ano letivo de 2026 na rede municipal de Ribeirão Preto tem sido marcado por diferentes desafios enfrentados pelas escolas em várias regiões da cidade. Enquanto algumas unidades lidam com a falta de materiais e uniformes, outras sofrem com problemas estruturais e de manutenção que preocupam pais, alunos e professores. As reclamações se multiplicam desde o retorno das aulas, no dia 5 de fevereiro, quando cerca de 50 mil alunos voltaram às salas após o recesso. A expectativa era de que tudo estivesse pronto na primeira semana, mas relatos apontam atrasos, precariedade em equipamentos e condições desiguais entre as unidades, especialmente nas áreas mais periféricas da cidade.
Pais de alunos da rede municipal de Ribeirão Preto relatam insatisfação com o início do ano letivo de 2026. A principal queixa é a falta de entrega de materiais escolares, uniformes e a precariedade na manutenção de algumas unidades, situação que, segundo eles, compromete o aprendizado e a segurança dos estudantes.
As aulas começaram no dia 5 de fevereiro, reunindo cerca de 50 mil alunos distribuídos em 146 escolas municipais e cerca de 30 instituições filantrópicas conveniadas, fornecedora de serviços à Secretaria Municipal da Educação. Apesar da previsão de que todo o material estivesse disponível já na primeira semana, muitas famílias afirmam ainda aguardar a entrega.
“Até agora não recebemos o material nem o uniforme. Meu filho está indo às aulas com roupas normais, e faltam livros de algumas disciplinas”, contou uma mãe de aluno da região do Subsetor Sul 3, que entrou em contato com a redação do Jornal Ribeirão.
Na zona norte, outra mãe ressaltou o impacto da ausência dos uniformes. “Além de não terem chegado, a alimentação está deficiente e os aparelhos de ar-condicionado funcionam por revezamento. O uniforme é uma questão de segurança também, ajuda a identificar os alunos dentro e fora da escola, não é possivel saber se todos que passam pelo portão são realmente alunos”, destacou. Um pai morador da periferia avaliou que a situação das escolas varia conforme a região. “Nas escolas daqui da periferia tudo é mais lento. Se o ano começa com problemas, eles só aumentam ao longo dos meses”, observou.
Além da falta de insumos, há denúncias de problemas estruturais em escolas da zona norte, como na unidade da Vila Mariana. Pais relatam goteiras, portas quebradas, piscina com água parada, telhado descascado e banheiros em estado precário. “É desmotivador ver o ambiente assim. As crianças merecem mais respeito”, disse uma das mães.
Ano começa com menos aulas de arte
A Resolução foi publicada no Diário Oficial do Município no dia 27 de agosto de 2025, ainda em exercício o então secretário Valdir Martina. O documento reduz de três para duas as aulas semanais de arte no Ensino Fundamental I para o início do ano letivo de 2026. Prefeitura de Ribeirão Preto informou que a reorganização do currículo da rede foi realizada de acordo com diretrizes legais e pedagógicas, atendendo às normativas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), do Currículo Paulista e do Referencial Curricular da rede municipal. A Prefeitura informa, que não haverá prejuízo à formação dos estudantes.
Prefeitura admite atrasos e promete regularização
Em resposta às reclamações, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que os kits de material escolar e os uniformes serão entregues nas primeiras semanas após o retorno das aulas, conforme o cronograma definido pela Secretaria de Educação. Segundo a nota, a medida visa “garantir uma distribuição organizada e igualitária entre todos os alunos”, destacando que o período inicial do semestre é de “adaptação e ajustes de matrícula”.
Em relação à manutenção, a Secretaria de Educação atribuiu parte dos problemas a “falta de manutenção acumulada de gestões anteriores” e afirmou já ter um projeto de reforma para as unidades com situação mais crítica. Sobre as goteiras citadas por pais de alunos, a pasta informou que foi notificada nodia 12 de fevereiro e que a equipe técnica esteve na escola, identificando falhas nas calhas. O reparo, segundo a secretaria, já está em execução.
Transição na gestão da Educação
A reportagem relembra que, em outubro de 2025, o então secretário Valdir Martins deixou o cargo por motivos pessoais. Desde então, a pasta é comandada interinamente por Christian Vianna Oliveira, responsável por conduzir o início do calendário de 2026, que prevê 200 dias letivos e algumas novidades anunciadas pela Prefeitura, como a Recuperação Paralela.