Manifestação de Servidores no Carnaval por "Descongela Já" e desafiam prefeito

Descongela já! manifestação bem humorada na avenida pegou vice-prefeito e mandou recado direto à Ricardo Silva

Compartilhar notícia

Servidora municipal manifestação e samba na avenida
Servidora municipal manifestação e samba na avenida - Foto: Foto: Jornal Ribeirão
Servidora municipal manifestação e samba na avenida - Foto: Foto: Jornal Ribeirão

Servidores municipais de Ribeirão Preto escolheram o fervo do Carnaval na Av. Nove de Julho para amplificar o grito de "Descongela Já", cobrando o pagamento retroativo de quinquênios, biênios, sextas-partes e outros adicionais congelados durante a pandemia de Covid-19 pelo governo Bolsonaro. Em meio ao show gratuito de Salgadinho, a servidora Vanessa Bonagamba não hesitou: encontrou o vice-prefeito Maraca e mandou recado provocativo ao prefeito Ricardo Silva, relembrando sua intervenção decisiva na recente crise da coleta de lixo com a Estre.

 

Grito de Carnaval: Descongela Já

Com a data-base 2026 batendo à porta – negociações setoriais já em curso pelo Sindicato dos Servidores Municipais (SSM) –, a categoria cerca de doze servidoras municipais de forma estratégica, esteve na avenida, buscando apoio da população e chamando servidores para gravação de vídeos "lembrando o prefeito" para descongelar seus direitos o que deve ser tema no acordo coletivo de trabalho (ACT), antecipando cronograma em ano eleitoral. O protesto, foi organizado por um grupo de professoras da Secretaria Municipal da Educação e contou com apoio de aliados de última hora de outros seguimentos aproveitou o grande fluxo de foliões para dar visibilidade máxima à pauta.

Faixas direcionadas a Ricardo Silva: "Excelentíssimo senhor prefeito Ricardo Silva, descongele já os servidores municipais de Ribeirão Preto 2026!", com fotos e vídeos provocando o prefeito no mesmo estilo ‘tiktoker’ que se comunicar nas redes com a população nas redes.

A estratégia faz sentido em contexto pré-eleitoral: prefeitos sob pressão popular tendem a negociar e vereadores ativos a campanha para Alesp e Congresso para evitar desgaste, especialmente com risco de judicialização se o passivo não for estabelecido um cronograma.

A prefeitura ainda não tem o levantamento do valor do montante a ser gasto com
A folha de pagamento e encargos sobre as remunerações e tem margem fiscal para pagar, parcelar ou priorizar recursos do município na carreira municipal. A data-base dos servidores municipais, momento anual de revisão salarial e benefícios, ganha contornos especiais este ano.

O Sindicato dos Servidores Municipais ainda não anunciou a Campanha Salarial 2026 que geralmente acontece em fevereiro, com assembleias e reuniões setoriais para construir a pauta unificada, mês que o prefeito recebe as reinvindicações dos servidores – processo que historicamente abre em março e culmina no ACT até maio.

Vale lembrar que a manifestação sobre o Descongela Já é um ato isolado de um grupo de servidores municipais e não contou com lideranças sindicais, mais para servidores que estavam na avenida 9 de julho apostam que foi a largada de um ano de muita luta e que a Prefeitura pode avançar no descongelamento agora, incorporando ao pacote da data-base, evitando que o passivo pese isolado no orçamento. "É hora de valorizar quem sustenta os serviços essenciais", disse Bonagamba para outra servidora em vídeo.

 

Posição oficial da Prefeitura


A Administração Ricardo Silva responde com cautela técnica. Cálculos dos quinquênios foram finalizados até 13 de fevereiro, seguidos imediatamente pelos biênios e demais adicionais. O material passa agora por análise técnica e orçamentária rigorosa, com meta de conclusão ainda em fevereiro para definir encaminhamentos institucionais.

A legislação federal (LC 226/2025) autoriza os retroativos, mas não impõe obrigatoriedade aos municípios – exige dotação prévia no orçamento e aprovação de lei específica pela Câmara Municipal.

A Casa Civil municipal deve após o levantamento individualizado dos valores devidos a cada servidor, um projeto de lei com cronograma detalhado será enviado aos vereadores. Servidoras municipais não perderam tempo para pedir apoio para o vice-prefeito e secretário da Casa Civil Alessandro Maraca que esteve no evento da 9 de julho e atendeu os pedidos.

Prioridades podem emergir: pastas como Saúde e Educação, sem previsão inicial no orçamento anual, talvez fiquem para etapas posteriores. Os pagamentos iniciais podem começar ainda este ano, de secretarias menores estendendo-se a 2027, especialmente Saúde e Educação o maior peso no orçamento que não tem previsão para o corrente ano e

dependendo da margem fiscal de cada pasta – pode elevar gastos com a folha e encargos perto do teto constitucional.

A gestão enfatiza responsabilidade: "Conduzimos o tema com segurança jurídica e equilíbrio das contas públicas", conclui a prefeitura em nota.

A mediação na crise da Estre

Não por acaso Vanessa citou a coleta de lixo. Há poucas semanas, Ribeirão viveu tensão com impasse entre coletores, sindicato e empresa Estre: salários baixos, descontos em folha sem lastro em acordo sindical e falta de consideração em relação aos agentes de coleta de lixo ameaçavam greve total, com lixo acumulado nas ruas em uma "greve branca" já iniciada sem anuência do sindicato. O prefeito Ricardo Silva entrou em campo pessoalmente, intermediando mesa de negociação que suspendeu a paralisação e normalizou o serviço em dias. Sua ação decisiva evitou caos urbano – trunfo agora invocado pelos servidores para cobrar reciprocidade.

O recado direto de Vanessa Bonagamba Servidora de carreira, da Educação Municipal Vanessa Bonagamba personificou a cobrança ao abordar Maraca no pico do show: " O Prefeito Ricardo Silva, você foi decisivo na Estre, evitando greve e beneficiando os coletores com mediação que salvou a cidade – prove que é o chefe de todos os servidores e resolva logo o 'Descongela Já', liberando nossos direitos suspensos por Bolsonaro! Leve esse recado urgente". O episódio, capturado em parte de vídeo com faixas ao fundo:

Rumos em ano eleitoral


O fator temporal pesa: com eleições municipais se aproximando, prefeitos como Silva buscam fechar ciclos positivos com o funcionalismo, que representa milhares de votos e influência comunitária além de buscar aderência legislativa estadual e federal nas assembleias.

Caso o projeto chegue à Câmara em março, alinhado à data-base, há otimismo para avanços parciais – como reconhecimento imediato do tempo congelado nos históricos funcionais e parcelamento do passivo, demanda de interesses também de vereadores que serão candidatos. Sem isso, ações judiciais TACs se multiplicam, como já começa acontecer nos municípios paulistas.