Ribeirão movimenta R$ 14,9 milhões com 77,9% vindos do Fundo Eleitoral
Dados do TSE mostram que dinheiro público responde por quase R$ 11,6 milhões dos recursos usados por candidatos a deputado federal e estadual na cidade; candidaturas femininas recebem apenas 1,9%, 30,1% federal/estadual
, atualizado
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As campanhas para deputado federal e estadual em Ribeirão Preto movimentaram R$ 14.942.632,89 nesta eleição, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com fechamento em 30 de setembro. Do total, R$ 11.636.104,26 (77,9%) vieram do Fundo Eleitoral Partidário — recurso público repassado aos partidos para financiar candidaturas.
As disputas federais concentram os maiores orçamentos: R$ 7.805.069,41, sendo R$ 6.505.785,08 (83,4%) originários do fundo partidário. No estadual, foram R$ 7.137.563,48, com R$ 5.130.319,18 (71,9%) de dinheiro público.
Candidatos a deputado federal
Baleia Rossi (MDB) declarou R$ 3.034.354,10, sendo R$ 3.017.234,10 (99,4%) de doações partidárias, R$ 14.800,00 (0,5%) de pessoas físicas e R$ 32.034,10 (1,1%) de recursos estimáveis. Duarte Nogueira (PSD) registrou R$ 2.335.157,41, com R$ 1.812.407,41 (77,6%) do fundo partidário e R$ 522.750,00 (22,4%) de doações de pessoas físicas. Baleia tenta a reeleição e Duarte Nogueira tenta retornar a Brasilia após após dez anos, oito deles quando foi prefeito de Ribeirão Preto
Os empresários Marco Aurélio Martins de Sousa e Hagara Espresola Ramos são os calouros na diputa por uma vaga no Congresso Nacional. Marco Aurélio (NOVO) declarou R$ 1.115.706,81, sendo R$ 860.416,48 (77,1%) de partidos, R$ 204.200,00 (18,3%) de pessoas físicas e R$ 30.030,33 (2,7%) de recursos próprios. Hagara do Pão de Queijo (AVANTE) registrou R$ 1.008.788,00, com R$ 675.000,00 (66,9%) do fundo partidário e R$ 303.788,00 (30,1%) de pessoas físicas.
Matheus Coelho (PSB) declarou R$ 16.078,43, total integralmente em recursos financeiros. Dois candidatos com história em Ribeirão tem campanhas modestas. O apresentador José Luiz Datena (PSB) declarou R$ 150.078,43, sendo R$ 145.000,00 (96,6%) de recursos financeiros partidários, R$ 45.000,00 de doação de candidatos e R$ 5.000,00 de pessoas físicas. Já Joyce Paulino (UNIÃO BRASIL) registrou R$ 144.906,23, com R$ 140.727,09 (97,1%) de doações partidárias e R$ 4.179,14 (2,9%) de pessoas físicas.
Candidatos a deputado estadual
Léo Oliveira (MDB) que tenta o seu sexto mandato de Deputado Estadual declarou R$ 826.896,10, sendo R$ 703.896,10 (85,1%) do fundo partidário e R$ 123.000,00 (14,9%) de pessoas físicas. Léo Oliveira foi o terceiro maior aporte de investimentos do Fundo Eleitoral em Ribeirão Preto.
Dois aspirantes disputam um lugar na Alesp pela primeira vez. O vereador Isaac Antunes e Rafael Silva Jr, filho do Deputado Estadual Rafael Silva que se aposentou. Isaac Antunes (PL) declarou R$ 1.270.280,00, sendo R$ 1.000.000,00 (78,7%) do fundo partidário e R$ 265.280,00 (20,9%) de pessoas físicas. Rafael Silva Junior (PSD) registrou R$ 1.239.238,00, com R$ 680.000,00 (54,9%) de partidos, R$ 534.238,00 (43,1%) de pessoas físicas, R$ 25.000,00 (2,0%) de recursos próprios e R$ 41.738,00 (3,4%) de recursos estimáveis.
Duda Hidalgo (PT) que disputa pela segunda vez, um posto na Alesp, agora lider em Ribeirão Preto a disputa pela cadeira na Alesp segundo o Instituto Realtime Bigdata públicada no Jornal Ribeirão registrou R$ 796.544,00, com R$ 683.500,00 (85,8%) de partidos, R$ 86.255,00 (10,8%) de pessoas físicas e R$ 22.789,00 de financiamento coletivo. Duda não conseguiu se eleger na eleição passada, ficando com segunda candidata mais bem votada, perdendo para o Deputado Estadual Rafael Silva. Sua colega de partido e da Câmara Municipal vereadora Perla Muller rivalizam em Ribeirão Preto. Perla Muller (PT) registrou R$ 651.250,00, com R$ 550.500,00 (84,5%) de partidos, R$ 93.750,00 de doação de candidatos e R$ 7.000,00 (1,1%) de pessoas físicas.
Gláucia Berenice e Marcos Papa ex-vereadores derrotados na eleição de 2024 também concorrem a uma vaga. Glaucia Berenice (REPUBLICANOS) declarou R$ 694.500,00, sendo R$ 685.000,00 (98,6%) de doações partidárias e R$ 6.500,00 (0,9%) de pessoas físicas. Marcos Papa (PSB) declarou R$ 221.640,43, sendo R$ 200.600,00 (90,5%) de recursos financeiros e R$ 21.040,43 (9,5%) de recursos estimáveis. André Trindade (UNIÃO BRASIL) outro ex-vereador declarou R$ 330.380,09, sendo R$ 326.482,59 (98,8%) de doações partidárias.
Dázio Vasconcelos (PSD) declarou R$ 352.407,41, sendo R$ 207.407,41 (58,9%) do fundo partidário e R$ 145.000,00 (41,1%) de pessoas físicas. Delegado Diógenes (PODEMOS) registrou R$ 292.500,00, com R$ 153.000,00 (52,3%) de partidos e R$ 139.500,00 (47,7%) de pessoas físicas. Alessandro Hirata (PSDB) registrou R$ 54.010,71, com R$ 40.000,00 (74,1%) de partidos, R$ 12.620,71 (23,4%) de recursos próprios e R$ 1.390,00 de financiamento coletivo. Coronel Nicotari (PODEMOS) declarou R$ 50.000,00, total integralmente em recursos financeiros. Karen Gregoris (MISSÃO) registrou R$ 9.204,58, sendo R$ 1.855,80 (20,2%) de pessoas físicas.
Candidaturas femininas é ínfimo no federal
Apesar das cotas de gênero que obrigam os partidos a destinarem recursos mínimos para candidaturas femininas, os dados do TSE revelam disparidade significativa no investimento entre homens e mulheres. No deputado federal, as candidatas mulheres em Ribeirão Preto receberam apenas R$ 144.906,23, o que representa 1,9% do total investido nas campanhas federais na cidade. O restante, R$ 7.660.163,18 (98,1%), foi destinado a candidatos homens. Joyce Paulino (UNIÃO BRASIL), única mulher na disputa federal com recursos declarados em Ribeirão, registrou R$ 144.906,23, valor inferior ao do último colocado homem, Matheus Coelho (PSB), com R$ 16.078,43, mas que ainda assim representa menos de 1% do total federal.
No estadual, mulheres ficam com 30% dos recursos
No deputado estadual, o cenário é menos desigual, mas ainda assim distante da paridade. As candidatas receberam R$ 2.151.498,58, o que corresponde a 30,1% do total investido nas campanhas estaduais em Ribeirão Preto. Os candidatos homens ficaram com R$ 4.986.064,90 (69,9%).
Duda Hidalgo (PT), Glaucia Berenice (REPUBLICANOS) e Perla Muller (PT) concentram a maior parte dos recursos femininos no estadual, com R$ 796.544,00, R$ 694.500,00 e R$ 651.250,00, respectivamente. Karen Gregoris (MISSÃO), por sua vez, registrou apenas R$ 9.204,58, o menor valor entre todos os candidatos estaduais.
Apesar de os partidos serem obrigados por lei a destinarem pelo menos 30% dos recursos do Fundo Eleitoral para candidaturas femininas, os dados mostram que, na prática, o investimento real fica abaixo desse patamar no federal e apenas atinge o mínimo no estadual, sem alcançar a igualdade de condições entre homens e mulheres nas campanhas.
“Voto Local, Voto Legal” ganha força em Ribeirão Preto
A eleição de 2026 em Ribeirão Preto vive o fenômeno do “Voto Local, Voto Legal”: eleitores priorizam candidatos com raízes no município, em contraste com eleições anteriores, quando candidatos de fora dominaram a preferência do eleitorado.
Em 2022, a direita elegeu nomes de fora como Ricardo Salles, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, que somaram mais de 200 mil votos na cidade. Na esquerda, apenas Guilherme Boulos e Eduardo Suplicy furaram a bolha, mas com votação modesta comparada aos nomes do governo federal.
Em 2026, a estratégia se inverteu. Baleia Rossi (MDB) e Duarte Nogueira (PSD) lideram as apostas locais. O PL, por exemplo, não lançou candidato federal da terra — Isaac Antunes disputa a Alesp —, o que abriu espaço para Baleia e Nogueira dividirem o eleitorado local.
Temperatura sobe nas ruas
A campanha esquentou em Ribeirão Preto. Apoiadores de diferentes legendas já protagonizam confrontos verbais, ameaças e até destruição de material de campanha. A cidade virou um corredor de windbanners, com sequências excessivas — às vezes menos de 5 metros entre faixas do mesmo candidato —, o que polui visualmente as vias e irrita moradores.
Relatos de apoiadores indicam que a tensão vai além da disputa eleitoral. Independente se o candidato é de estadual ou federal, os grupos se enfrentam nas ruas. Há casos de tocaias, em que apoiadores de um candidato esperam a passagem de carros de som ou comitivas de outro para provocar, criar briga e até depredar material.
A Polícia Civil já registrou boletins de ocorrência por ameaças, agressões verbais e destruição de propriedade. Grupos organizados têm ameaçado candidatos e apoiadores, especialmente em regiões de alta concentração de windbanners.
Box Deputados Federal/Estadual