Gasto com seguro gera pedido de cassação de Vila Abranches

Franquia cobrada por oficina para liberar carro oficial não foi paga pela Câmara; suspeita é de que assessor tenha feito o pagamento

, atualizado

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Acidente com o vereador Maurício Vila Abranches sob suspeita
Acidente com o vereador Maurício Vila Abranches sob suspeita - Foto: Thaisa Coroado/Câmara de Ribeirão
Acidente com o vereador Maurício Vila Abranches sob suspeita - Foto: Thaisa Coroado/Câmara de Ribeirão

A Câmara de Ribeirão Preto recebeu nesta quarta-feira (17) um pedido de abertura de cassação do vereador Maurício Vila Abranches (PSDB). A acusação é de quebra de decoro parlamentar no caso do acidente com carro oficial em que a franquia do seguro – valor cobrado para liberar o veículo que teve perda parcial – não foi paga pela Câmara. Nos bastidores, a informação é de que um assessor do parlamentar teria feito o pagamento, no valor de R$ 17 mil.

O vereador foi questionado diretamente sobre isso pelo jornal, mas não se manifestou publicamente sobre o tema desde a sua divulgação. A assessoria dele também foi procurada para comentar o pedido de cassação, mas não houve retorno.

O acidente foi revelado com exclusividade pelo Jornal Ribeirão no ano passado. O carro foi enviado para a oficina e houve o pagamento da franquia do seguro. Apesar do pagamento, não há informação sobre qual a origem do dinheiro – a Câmara afirma que nenhum procedimento para pagamento de franquia foi aberto. O conserto, e o pagamento da franquia, só poderia ser realizado pelo Legislativo.

“Informamos que foram consultadas a Coordenadoria Administrativa e a Gestão de Contratos, setores competentes e responsáveis pela abertura e formalização dos respectivos processos administrativos, bem como pela gestão documental correlata. Referidos setores não localizaram, em seus registros, comprovante do mencionado pagamento e informaram que tal pagamento não foi realizado pela Câmara”, diz a nota encaminhada ao Jornal Ribeirão.

A Gente Seguradora – detentora da apólice – também informou que não recebeu nenhum pagamento a título franquia após o acidente. Segundo a empresa, o valor pertence à concessionária onde foram realizados os reparos.

“Dessa forma, por se tratar de pagamento realizado diretamente entre terceiros, a Gente Seguradora não possui ingerência sobre a origem dos recursos utilizados para sua quitação, tampouco participa da negociação, recebimento ou fiscalização desses valores. Por questões de sigilo contratual, proteção de dados e respeito às relações mantidas com nossos segurados e prestadores, a Companhia limita-se a prestar informações relacionadas à sua atuação no processo de regulação do sinistro”, afirmou o departamento jurídico da companhia.

A expectativa é de que o pedido de abertura de processo de cassação contra Vila Abranches seja votado ainda nesta quarta-feira.