Temperatura cai e cresce chance de acordão para salvar mandatos
Bigodini (MDB) deve retornar em maio, mesmo prazo previsto para fim de processo de cassação de Lincoln Fernandes (PL)
, atualizado
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A Câmara de Ribeirão se aproxima de momentos cruciais, que devem ser vividos a partir de maio. De um lado, se desenha a volta de Bigodini (MDB), depois de 180 dias de suspensão, ainda carregando nas costas o peso político de um caso em que a própria investigação policial concluiu que ele mentiu sobre quem dirigia e que estava embriagado ao volante no acidente que marcou seu afastamento. De outro, avança o caso de Lincoln Fernandes (PL), acossado por denúncias graves e por um processo que pode terminar em cassação.
No meio disso tudo, cresce nos corredores da Casa o cheiro já conhecido de acomodação: menos compromisso com resposta pública e mais esforço para administrar danos entre pares. O Jornal Ribeirão ouviu cinco vereadores e dezenas de servidores e assessores. Ninguém confirmou o "acordão de salvação", mas houve indicação, unânime, de que o clima esfriou no Legislativo.
"O Bigodini volta e já foi punido. Só haverá novo processo se ele for condenado. Já o Lioncoln tem o processo de cassação em curso, mas percebo que está menos isolado", disse um vereador, sob condição de anonimato.
PROBLEMAS
O retorno de Bigodini ocorre depois de penalidade de 180 impostas pela comissão processante que salvou sua pele. Outra comissão processante pode ser instaurada, se houver vontade política, mas o que se fala na Câmara é que isso não ocorrerá, a menos que fatos novos - como a condenação criminal - ocorram.
No caso de Lincoln, a situação é ainda mais explosiva. As denúncias envolvendo quebra de decoro e suspeitas de rachadinha, com relatos de ex-assessores, colocaram o mandato numa zona de alto risco. Ninguém assume que exista negociações para salvar o mandato, Mas o ambiente já é de cálculo. A pergunta deixou de ser apenas se Lincoln cai; passou a ser quem topa segurar a corda e a que preço.
"Em situações assim, o plenário costuma funcionar menos como tribunal político e mais como condomínio em pânico: cada grupo mede custo, desgaste, exposição e conveniência antes de decidir qual escândalo merece punição exemplar e qual pode ser absorvido pela rotina", avalia o cientista político Marcos Aurélio, da Unesp.