Guerra fria entre Isaac e Lincoln coloca Câmara sob atenção máxima
Demissão do líder do governo da rádio Jovem Pan News movimentou assessores; governo se mantém neutro e diz contar com vereadores
, atualizado
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O rompimento entre Lincoln Fernandes e Isaac Antunes, ambos do PL, até pouco tempo aliados políticos e parceiros de articulação da base governista, inaugurou uma espécie de guerra fria no Legislativo. Sem discursos inflamados no plenário, sem embates diretos à tribuna, mas com recados cifrados, silêncios estratégicos e movimentações de bastidores que já reconfiguram forças.
A crise, que chegou ao auge com a demissão do vereador, que é jornalista, da Jovem Pan News - emissora comandada pelo recentemente falecido pai de Isaac, Luiz Joaquim. O desligamento, no início de fevereiro, ocorreu sem aviso prévio e incluiu troca de chaves do prédio.
A reportagem apurou, ainda, que assessores foram deslocados, dos dois lados, para levantar material para eventual uso político. "Criou-se um verdadeiro clima de guerra fria", disse um vereador, sob condição de anonimato.
Entre os dois, entretanto, o discurso oficial é de um armistício. A frágil paz entre ambos dez com que a situação siga sem mudanças - Lincoln perdeu os cargos que tinha em redutos de Isaac como a RP Mobi e Secretaria de Esportes, mas se manteve líder do governo e com espaço na administração.
"As conversas seguem tensas, mas ocorrendo", afirmou um interlocutor da negociação entre os vereadores.
A reportagem do Jornal Ribeirão tentou falar tanto com Lincoln Fernandes como com Isaac Antunes, mas nenhum deles quis se manifestar publicamente sobre a questão.
Já a prefeitura de Ribeirão informou que vê a questão como partidária e que continua a contar com ambos os vereadores - atualmente presidente da Casa e líder do governo - em suas fileiras.
Prefeitura vê questão partidária
A avaliação no governo Ricardo Silva (PSD) é que os eventos recentes envolvendo Lincoln Fernandes e Isaac Antunes, ambos do PL, são questões partidárias internas e que não houve qualquer repercussão, até o momento, na relação institucional com a Câmara - que é presidida por Isaac. A administração tem se mantido neutra em relação ao caso.
"Esse conflito é uma questão partidária, e o governo continua a contar com os dois parlamentares, que seguem colaborando com a cidade", avalia Jean Vicente, secretário de Governo, em entrevista ao Jornal Ribeirão.
Nos bastidores, entretanto, não é descartado que o governo intervenha na situação, especialmente se houver um aprofundamento da crise entre os parlamentares. "Mas, até o momento, não é o caso", disse um assessor de um vereador que pediu para não ser identificado.