Construção de igreja evangélica na mira do Ministério Público

Moradores da região apontam divergência entre projeto aprovado, com capacidade para 500 pessoas, e postagens

, atualizado

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Construção sede Igreja Missionária Rua Flávio Canesin
Construção sede Igreja Missionária Rua Flávio Canesin - Foto: Foto Processual
Construção sede Igreja Missionária Rua Flávio Canesin - Foto: Foto Processual

O Ministério Público abriu investigação para apurar possíveis irregularidades urbanísticas na construção do templo da Igreja Missionária Unida dos Campos Elíseos (IMUCE), no Recreio das Acácias, após moradores denunciarem divergências entre o projeto aprovado — com capacidade para 500 pessoas — e divulgações da igreja que mencionam eventos para mais de 1.700 fiéis.

O procedimento, instaurado pela Promotoria de Justiça de Ribeirão Preto, busca esclarecer se o empreendimento deveria ter apresentado Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), exigido pela legislação municipal para atividades com grande concentração de público. O projeto aprovado pela Prefeitura, registrado sob o número 2023/806.333-6, limita o funcionamento do templo a 500 pessoas e condiciona o uso às normas definidas pela Comissão de Controle Urbanístico (CCU).

Moradores afirmam que essa capacidade não condiz com as informações divulgadas pela IMUCE, que anunciou em redes sociais eventos para mais de 1.700 participantes. A discrepância motivou a representação encaminhada ao Ministério Público, que agora avalia se houve descumprimento das obrigações urbanísticas. Segundo a promotora Ana Carla Froes Ribeiro Tosta, o caso envolve interesse coletivo e exige acompanhamento rigoroso para assegurar cumprimento das normas e proteção da vizinhança.

NO MP

O avanço da obra também gera preocupação no bairro. A Rua Flávio Canesin, onde o templo está sendo construído, é estreita e concentra todo o fluxo da região, majoritariamente residencial. Moradores temem que atividades de grande porte provoquem congestionamentos severos e prejudiquem inclusive o acesso de ambulâncias e veículos de emergência. Há ainda receio de que, para absorver o movimento adicional, a via precise ser duplicada, o que afetaria áreas de preservação ambiental.

Entidades como o Instituto Ribeirão Ambiental (IRA) alertam que intervenções na área podem causar danos ao ecossistema local e exigem estudos técnicos mais detalhados antes de qualquer obra viária.

O Ministério Público aguarda respostas de órgãos municipais e da igreja para decidir se converte o procedimento preparatório em inquérito civil ou se adota medidas judiciais.

 

Moradores temem que fluxo de fieis torne tráfego caótico

Moradores do Recreio das Acácias temem que eventos de grande porte no templo causem congestionamentos na Rua Flávio Canesin, principal via do bairro, afetando até o acesso de veículos de emergência. "Imagine se tivesse uma emergência e uma ambulância ou viatura policial precisasse chegar rapidamente a um dos condomínios. A demora pode custar vidas", alertou o síndico Carlos Estevam, condomínio Paineiras. A preocupação também é ambiental, já que eventual duplicação da via atingiria área protegida. O Instituto Ribeirão Ambiental (IRA) alerta para os possíveis danos ao ecossistema local.

Igreja afirma que irá seguir as determinações à risca

Em nota, IMUCE afirma que "seguirá todas as determinações impostas pelo Alvará e que seus cultos serão realizados em horários escalonados" — às quartas-feiras e aos domingos, distribuídos em quatro celebrações — para não ultrapassar o limite de 500 pessoas.

A instituição também diz ter assumido compromissos com a Prefeitura de Ribeirão para instalar sinalização viária e adotar medidas que reduzam o impacto das atividades na mobilidade do bairro.

NO MP

Já a Promotoria aguarda também manifestação formal da igreja sobre as postagens divulgadas e eventuais intenções de ampliar o uso do imóvel além do que foi autorizado, bem como a realização de estudos ambientais e de vizinhança que possam se revelar necessários diante da atividade da congregação.