Honrando nossa História

Quando o mês de junho chega eu sempre fico emotiva e saudosa. Primeiro por ser aniversário do meu filho, dia 19 de junho, mesmo dia do aniversário de nossa cidade, data que acabou registrada por conta do fruto da pesquisa de meu tio Dr. Osmani Emboaba da Costa, aceito pelos órgãos públicos e assim decretado.

, atualizado

Compartilhar notícia

Nesta data sempre me vem o desejo, e porque não dizer, o compromisso de lembrar e registrar de alguma forma, a origem de um dos primeiros bairros da cidade, a Vila Virginia, fundada por meu avô paterno, Álvaro de Lima, que arrematou lotes da antiga chácara Paraíso e doou terras para construção da Igreja, (hoje Paróquia Santa Maria Goretti), do grupo escolar e de toda infra-estrutura necessária para fundar o bairro que ele nomeou em homenagem a sua esposa Virginia.

A minha avó, Virginia Barros de Lima (1900-1061), a quem não tive a sorte de conhecer (eu nasci em 1969), portanto não tenho histórias vividas, possuía saúde frágil, tanto que faleceu cedo, aos 60 anos. Participava das atividades de arrecadação de fundos para a igreja e na distribuição de donativos e alimentos aos mais necessitados do bairro.

Convivi com o meu avô, Álvaro de Lima (1884-1973), na minha infância somente até os quatro anos de idade. As lembranças que tenho são poucas, mas o legado de empreendedorismo que ele nos deixou eu faço questão de perpetuar para os meus descendentes. Ele foi o criador, loteador e fundador da Vila Virginia, que leva o nome da minha avó paterna, a quem tenho também a honra de herdar o nome de tão digna cidadã benemérita, a este bairro que carrega em seu nome uma linda história de amor, e um dos primeiros de Ribeirão Preto, o meu avô dedicou os melhores anos de sua vida, empenhando o máximo esforço em prol de seu progresso e de sua comunidade.

Há poucos dias, escrevendo sobre ele em minha coluna, pesquisei o que tinha registrado sobre o bairro e me deparei com erros que preciso corrigir e registrar.

Em certa matéria diziam que o bairro já tinha outro nome, República, o que não é verdade. Houve sim uma intenção de alterar o nome para Jardim Virginia e, posteriormente, em "Jardim Progresso", que não proliferou graças à imprensa, vereadores sensatos e a comunidade local. Discussão essa que afetou muito a saúde de meu avô, em seus últimos anos de vida.

Tenho registro em matérias de jornais que guardo com carinho e respeito. Em outra matéria dizia que meu avô era português. Ele era mineiro de Carmo do Paranaíba, mas fixou residência em Ribeirão ao arrematar os lotes e fundar o bairro que foi a paixão de sua vida, até a morte.

Cheguei a achar graça no equívoco. Mas história é coisa séria e faço questão de levar o legado da família para posteridade. E assim o farei, honrando o passado e a história de nossa cidade que completa 170 anos.

* Publicitária, produtora de conteúdo e editora do site VickNews