2026 e o protagonismo das mulheres na agricultura global

A decisão da Organização das Nações Unidas de instituir 2026 como o Ano Internacional da Mulher na Agricultura evidencia um movimento que já vem se consolidando no campo, ainda que nem sempre com a mesma visibilidade de sua relevância.

, atualizado

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As mulheres ampliam sua presença em diferentes etapas do agronegócio, da produção às funções técnicas e estratégicas. Esse avanço reflete uma transformação estrutural, com impacto direto na forma como o setor se organiza e toma decisões, o que vem refletindo, cada vez mais, na evolução e práticas do setor. E esse é um caminho sem volta, com tendência a crescer cada vez mais.

Persistem, no entanto, desafios importantes relacionados ao acesso à terra, crédito, tecnologia e assistência técnica, que impactam o setor como um todo. No contexto da ampliação da participação feminina, contudo, a superação dessas barreiras ganha relevância adicional, ao contribuir para o fortalecimento da produtividade, da diversidade e da eficiência no agronegócio.

O reconhecimento internacional tende a acelerar essa agenda, estimulando maior articulação entre políticas públicas, financiamento e capacitação. Esse movimento contribui para consolidar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de lideranças femininas no agro.

Iniciativas voltadas à formação e inclusão ganham relevância nesse contexto, especialmente aquelas que atuam no fortalecimento de lideranças e na aproximação de novas gerações com o setor. A criação de projetos como Damas do Agro e Crianças no Agro reflete esse esforço de longo prazo, ao ampliar o acesso, desenvolver competências e estimular maior diversidade no ambiente produtivo.

Os projetos, por sinal, devem registrar, repercussões cada vez maiores, na medida em que retratam essa nova realidade do cenário do agro.

No Brasil, onde o agronegócio tem papel central na economia, esse avanço se traduz em ganhos concretos de governança, resiliência e capacidade de adaptação, especialmente diante de um ambiente cada vez mais desafiador do ponto de vista regulatório e climático.

A agenda de 2026 aponta para uma direção clara. Ampliar a participação feminina na agricultura não se limita a uma pauta social, mas se consolida como uma escolha estratégica para a sustentabilidade e a competitividade do setor.

*Advogada, é conselheira de Administração e Relações Institucionais
do Grupo Santa Clara