STF, TCU e a chanchada da Virtude: abismo da Honra em tempos de master

, atualizado

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Ah, eis que a nação, essa eterna noiva de aluguel, se desnuda em mais um espetáculo de chanchada barata! O escândalo do Banco Master não é mera crise; é a gangrena moral que avança pelos poros da República, exibindo as entranhas pútridas de instituições já exauridas de credibilidade.

O Supremo Tribunal Federal, essa corte de toga e altivez que já cambaleava em seu pedestal de mármore, agora despenca, arrastando consigo a última centelha de fé popular.

Não há, que se diga, decência ou lógica na intrusão do STF nas investigações do caso Banco Master, sob o véu imundo do sigilo máximo. Nem no atrevimento do Tribunal de Contas da União, que se arvora o direito de vasculhar o Banco Central - o investigador - com a mesma cortina de fumaça. A crise não reside na legalidade da fiscalização, pois isso seria apenas a coreografia da normalidade democrática. Por isso a náusea, o grito abafado, as entranhas revoltas que já não engolem as desculpas esfarrapadas.

A desconfiança é visceral: as mais altas instituições do Estado, suspeita-se, não atuam como guardiãs da lei, mas como meras prostitutas políticas, manipuladas numa sórdida campanha de achaque contra a autoridade monetária. A "culpa" do Banco Central? Ter ousado liquidar um banco privado que, segundo a Polícia Federal, era um antro de fraudes, cuja longevidade e prosperidade se nutria da mais descarada compra de influência nas alcovas do poder.

É a "podridão política" em estado de putrefação avançada, a "sem-vergonhice" escancarada e um "atrevimento" que desafia a própria memória de um país que, pobre iludido, julgava já ter visitado todos os infernos da corrupção. Pensávamos ter visto tudo? Que ledo engano! O abismo é mais fundo, e a desfaçatez, infinita.

A eficácia de qualquer instituição é indissociável da coragem de seus membros e, sem caráter, as estruturas se corrompem, as normas se pervertem. As instituições se mostram cascas vazias, simulacros de poder. A "mão" que move a casa de máquinas está podre, desprovida de justiça, temperança e coragem. Sem essas virtudes, as leis mais nobres se retorcem em farsa, as constituições se degeneram em papel higiênico, e o Estado falha, miseravelmente, em seu propósito.

A crise atual, esse hediondo espetáculo, é o atestado de que essa alma política foi vendida, profanada. A "podridão política" não é um acidente, mas o sintoma de uma ausência abissal de virtude nas esferas de poder, onde o particular e a influência comprada suplantam o mais elementar compromisso com o que é público. A nação, essa pátria prostituída, cambaleia sem alma, enquanto o fantasma de Aristóteles nos observa, não mais espantado, mas com a desolação de quem já previra o destino trágico daqueles que baniram a honestidade de seu convívio.

é professor e cientista político