Voto em 'estrangeiros' ainda é problema em Ribeirão

, atualizado

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Ribeirão Preto tem motivos para olhar para o resultado das urnas com otimismo. Na disputa para deputado estadual, a maior parte dos votos se concentrou em candidatos ligados à cidade — e quatro deles foram eleitos. Duda Hidalgo (PT) recebeu 42.211 votos em Ribeirão; Isaac Antunes (PL), 31.312; Rafael Silva Jr. (PSD), 23.018; e Léo Oliveira (MDB), 16.503. É um recado claro: quando o eleitor aposta em nomes da cidade, essa escolha pode se transformar em representação efetiva na Assembleia Legislativa.

A conquista é importante não apenas pelo número de cadeiras, mas pela possibilidade de Ribeirão atuar com mais força na defesa de suas demandas. Quatro deputados estaduais da cidade podem articular investimentos, acompanhar políticas públicas e dar visibilidade a questões locais e regionais.

A eleição, por si só, não garante resultados; caberá à população cobrar que essa bancada trabalhe e transforme a representação em benefícios concretos.

A comparação com a disputa federal, porém, chama atenção. Em Ribeirão, Lucas Pavanato (PL), de fora da cidade, foi o mais votado para deputado federal, com 43.904 votos (13,61%). Erika Hilton (PSOL), também de fora, teve 24.396 (7,56%). Baleia Rossi (MDB), único representante local eleito para Brasília, foi apenas o quarto mais votado, e recebeu 21.178 votos (6,57%).

Marco Aurélio (Novo), o terceiro mais votado, com 23.024 votos; o quinto, Duarte Nogueira, com 17.776 e Hagara Espresola Ramos (AVANTE), o sétimo, com 16.107 votos, não se elegeram.

Por óbvio, os votos que sobraram para Pavanato e Hilton, que somaram perto de 70 mil, se distribuídos para candidatos locais, seriam suficientes para eleger no mínimo mais um deputado - podendo até chegar a dois, dependendo da distribuição.
O contraste não é uma crítica à liberdade de escolha do eleitor, nem desmerece candidatos de alcance estadual ou nacional. É um convite a refletir sobre o peso do voto local. Na disputa estadual, o apoio majoritário a nomes da cidade ajudou a eleger quatro representantes. Na federal, a votação expressiva em candidatos de fora coexistiu com uma representação própria reduzida: Baleia Rossi será o único ribeirão-pretano na Câmara.

Comparando-se com o resultado da eleição de 2022, a cidade elegeu o dobro dos deputados estaduais, e metade dos federais. Uma queda, portanto, de representatividade federal.

O quadro, portanto, apresenta boas notícias — sobretudo a força conquistada na Alesp — e também um alerta para o futuro. Ribeirão mostrou que pode eleger uma bancada estadual robusta quando concentra votos em seus candidatos.

O desafio, inclusive encampado publicamente pelo Jornal Ribeirão, que apoia a campanha Voto Legal é Voto Local, será levar essa mesma capacidade de mobilização para a disputa federal, sem restringir a escolha de ninguém, mas reconhecendo que representação local também significa voz direta para defender as prioridades da cidade.