O voto local precisa emplacar

, atualizado

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Em política, o voto é mais do que uma escolha individual. É também uma decisão sobre quem terá legitimidade para representar a cidade, defender suas prioridades e prestar contas à população. Por isso, a campanha "Voto legal é voto local", encampada pelo Jornal Ribeirão, precisa ser levada a sério por Ribeirão Preto.

Levantamento recente aponta um dado que merece reflexão: entre os dez candidatos a deputado federal e a estadual mais bem posicionados nas intenções de voto, metade é de fora de Ribeirão Preto. De 20 nomes, são dez "forasteiros" - realidade já observada em pleitos anteriores.

O número não significa, por si só, que candidatos de outras cidades sejam incapazes de representar os interesses locais. Mas revela uma possível desconexão entre o eleitorado e a escolha de quem efetivamente conhece, vive e enfrenta os problemas da cidade.

Ribeirão Preto tem demandas próprias e urgentes. Saúde regional sobrecarregada, mobilidade urbana, segurança, infraestrutura, geração de empregos, desenvolvimento tecnológico, educação e fortalecimento dos serviços públicos exigem parlamentares que compreendam a realidade local — não apenas durante o período eleitoral, mas ao longo de todo o mandato.Deputados eleitos com votos de Ribeirão Preto precisam ter compromisso permanente com Ribeirão Preto.

A cidade não pode ser lembrada apenas como um reduto eleitoral conveniente, visitado em época de campanha e esquecido depois da apuração. O eleitor precisa perguntar: esse candidato conhece nossas necessidades? Já atuou em defesa da região? Tem propostas objetivas? Estará acessível depois de eleito? Prestará contas de sua atuação?O voto local também é uma forma de fortalecer a representação regional.

Quando a cidade elege candidatos comprometidos com suas pautas, amplia sua capacidade de reivindicar recursos, obras, programas e políticas públicas. Quando distribui seus votos sem considerar a relação do candidato com a comunidade, corre o risco de eleger representantes que não terão a mesma disposição — ou a mesma responsabilidade — para defender suas prioridades.Isso não significa defender um bairrismo estreito ou transformar a origem do candidato em único critério eleitoral. Competência, honestidade, preparo, compromisso democrático e qualidade das propostas continuam sendo indispensáveis.

Um candidato local sem compromisso não merece o voto apenas por ser da cidade. Da mesma forma, um candidato de fora pode conquistar legitimamente a confiança dos eleitores se demonstrar vínculo real, conhecimento dos problemas e disposição concreta para trabalhar pela região. A questão central é outra: Ribeirão precisa deixar de ser apenas fornecedora de votos e passar a exigir representação efetiva.

O eleitor deve analisar trajetórias, conferir promessas, cobrar transparência e desconfiar de candidaturas que aparecem somente em busca de votos. A democracia não termina diante da urna. Ela continua na fiscalização do mandato e na cobrança por resultados. Votar localmente, portanto, não é votar por amizade, fama ou conveniência. É votar com consciência sobre a importância de eleger quem tenha compromisso com a cidade e com a região. Voto legal é voto consciente. E, para Ribeirão Preto, voto consciente também deve ser voto local.