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A desistência da Prefeitura de Ribeirão Preto e do Grupo Marista em relação à permuta dos imóveis onde, diz a lenda, seria instalada a nova sede administrativa do Poder Municipal expõe a falta de planejamento do governo Ricardo Silva (PSD). E, ao que parece, as lições anteriores não foram aprendidas pelo alcaide.
A Administração Municipal afirma que a negociação foi conduzida com transparência, rigor técnico e segurança jurídica. Mas a pergunta que fica é inevitável: por que um projeto tão complexo foi aprovado pela Câmara para, poucos dias depois, ser abandonado sob a justificativa de que o prazo de execução era inviável?
Esse tipo de avaliação deveria ter sido feita antes da votação. O cronograma de construção, instalação, mobiliário e transferência das atividades não surgiu depois da aprovação da lei. Se havia risco de descumprimento, ele precisava estar claramente identificado durante a elaboração da proposta.
Ricardo Silva decidiu não executar o Centro Administrativo herdado do governo Duarte Nogueira. Em seu lugar, insistiu na permuta com o Marista, apresentada como uma solução econômica e estratégica para reunir os serviços municipais. Agora, a negociação fracassou e a Prefeitura se vê novamente sem projeto definido.
Não se trata de afirmar que houve irregularidade. A nota oficial sustenta que tudo foi feito dentro da lei. O problema é político e administrativo: faltou planejamento para transformar uma ideia em um projeto executável. E, mais do que isso, a atual gestão comprou briga, não colocou o projeto anterior - já aprovado e com recursos reservados - em prática e se viu sem opção viável.
A Câmara debateu e aprovou a proposta. A sociedade acompanhou o processo. A imprensa se ocupou do assunto. Ao final, todos ficaram com o desgaste de uma operação que não saiu do papel.
A Prefeitura diz que o sonho do Centro Administrativo permanece. Ribeirão Preto, porém, precisa de mais do que sonhos e comunicados. Precisa saber qual será a alternativa, quanto custará, quando será executada e quais estudos sustentam a nova proposta.
O caso Marista reforça a impressão de que o governo Silva está perdido na definição de prioridades. Abandonou o projeto anterior, apostou em uma permuta sem segurança suficiente, teve que retirar o projeto para, meses depois, voltar à carga e aprovar, a toque de caixa e com uma discussão no mínimo cheia de problemas, a proposta. Agora, com o negócio cancelado, retorna ao ponto de partida. Quase dois anos depois da largada.
A cidade não pode continuar sendo governada por anúncios. Grandes projetos exigem planejamento, responsabilidade e capacidade de execução. No episódio do Marista, o governo Ricardo Silva falhou justamente nesses três pontos.