Compartilhar notícia
A morte de João Ribas, funcionário demitido pelo prefeito Ricardo Silva (PSD) no início do governo, pelas redes sociais, e as recentes acusações da família, devem servir de motivo de reflexão sobre o impacto humano dos atos administrativos.
Não se contesta que é papel do bom gestor público administrar, promovendo, quando necessário, trocas, notadamente quando as peças modificadas não dão a resposta que deveriam. Por sua vez, a pressão da autoridade, notadamente pela relevância que possuem, não pode levar a decisões atabalhoadas, que afetem pessoalmente os envolvidos.
A família atribui à demissão pública, conduzida pelo prefeito Ricardo Silva e pelo secretário da Saúde, Maurício Godinho, pelas redes sociais, como um fator determinante para o agravamento do quadro emocional e de saúde do ex-servidor, que acabou falecendo, na primeira quinzena de julho, em decorrência de um infarto.
Não se trata de transformar dor em exploração política, nem de culpar o gestor pelo trágico acontecimento. Mas sim, o evento nos impõe a necessidade de reconhecer que atos públicos, especialmente quando praticados por autoridades, carregam consequências humanas profundas. O mínimo que se espera é sensibilidade, e isso vale para qualquer ocupante de cargo público.
Ao mesmo tempo, outro tema amplia o desgaste político enfrentado pelo governo municipal: as denúncias envolvendo a suposta criação de cargo para atender interesse pessoal do vice-prefeito Alessandro Maraca (MDB), em episódio relacionado à contratação de uma servidora comissionada com quem teria relacionamento. Em que pese a necessidade de condenação veemente da forma ofensiva e desarrazoada com que a situação foi explorada por adversários políticos, a gravidade da acusação exige postura firme da administração.
Mais uma vez, não é possível conduzir o debate público apenas na lógica da negação informal ou do desgaste passageiro das redes sociais. A população espera transparência. Espera explicações objetivas. Espera documentos, critérios e justificativas claras sobre a estrutura administrativa adotada pela prefeitura.
Os dois episódios possuem naturezas distintas, mas convergem em um mesmo ponto: a necessidade urgente de a administração municipal encontrar o tom adequado diante de crises que envolvem pessoas, ética pública e confiança institucional.
No caso de João Ribas, a prefeitura precisa demonstrar humanidade e esclarecer os fatos diante da acusação feita pela família. No caso das denúncias envolvendo Alessandro Maraca, precisa agir com transparência e seriedade para dissipar dúvidas sobre eventual uso da máquina pública para interesses pessoais.
Governar também significa saber responder em momentos difíceis. E, até aqui, a sensação que permanece é a de que faltam respostas proporcionais à gravidade dos fatos que vieram à tona.