Quem paga o pato, mais uma vez, é a torcida do Botafogo

, atualizado

Compartilhar notícia

O imbróglio envolvendo Botafogo Futebol Clube e Botafogo SA escancara, mais uma vez, o tamanho da desorganização institucional que tomou conta do clube nos últimos anos. Em vez de planejamento, transparência e resultados concretos, o que se vê é uma sucessão de conflitos, promessas não cumpridas e uma gestão incapaz de devolver ao Botafogo a estabilidade e a grandeza que sua história exige.

A condução do empresário Adalberto Baptista à frente do processo se revela, ao longo do tempo, pífia e desastrosa. E não falamos aqui de balanços, empréstimos obscuros e dívidas milionárias - problemas que, de resto, estão escancarados nos balanços financeiros da companhia. O que pega, de forma imediata para o torcedor, são os resultados dentro de campo.

Nesse quesito, o desempenho acumulado durante a gestão "profissional" de Baptista são medíocres e insuficientes para justificar o discurso de modernização que tantas vezes foi vendido ao torcedor. O clube permanece atolado em crises administrativas, esportivas e financeiras, enquanto o botafoguense convive com frustrações contínuas e uma sensação permanente de abandono.

Mais grave do que os números é o desgaste emocional provocado em quem acompanha o clube há décadas. O torcedor histórico, aquele que sustentou o Botafogo nos momentos mais difíceis, sente-se cada vez mais apartado das decisões e distante da própria identidade tricolor.

O clube parece ter deixado de ouvir sua arquibancada para se tornar refém de disputas internas, vaidades pessoais e narrativas jurídicas que pouco dialogam com a paixão de quem realmente mantém viva a instituição. E, infelizmente para os torcedores e para Ribeirão, não há sinais de alento.

Nesse cenário turbulento, a recente decisão da Justiça de suspender o Regime Central de Execuções, artefato jurídico que concentra a execução de todos os credores do Botafogo Futebol Clube, até a definição da arbitragem surge como uma boa notícia.

A medida representa uma necessária sobrevida ao Botafogo Futebol Clube, evitando que a instituição seja levada à extinção de forma imediata. Assim, a comunidade tricolor aguarda um desfecho para a disputa societária e administrativa que está colocando fim a uma história centenária.

É um respiro em meio ao caos, admite-se. Mas o pulso ainda pulsa e a bola, dessa vez, está com a câmara de arbitragem, onde o conflito, espera-se, seja solucionado. Qualquer que seja o resultado, entretanto, é imperioso que lições sejam aprendidas com o caso.

Do Axial a Brunoro, passando por abnegados que depenaram o clube e entregaram o patrimônio tricolor, os exemplos são fartos e daninhos. Que o embloglio com Baptista sirva, ao final, para prevenir novas aventuras entreguistas.

No frigir dos ovos, o fato é que toda essa patacoada produz um único derrotado: o torcedor. Perde quem ama o Botafogo, quem cresceu vendo o clube como símbolo de tradição e resistência, e agora assiste, perplexo, à equipe indo de mal a pior dentro e fora de campo.