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A RP Mobi encerrou 2025 com um retrato financeiro que deveria constranger qualquer gestão: faturou cerca de R$ 50 milhões em multas de trânsito, mas amargou um prejuízo de R$ 22 milhões e acumulou patrimônio líquido negativo de R$ 24 milhões. Os números, publicados recentemente neste jornal, escancaram um modelo insustentável — uma empresa que depende de infrações de motoristas para tentar se financiar e, mesmo assim, não consegue fechar as contas.
Mas a RP Mobi não é um caso isolado. Ela é apenas a face mais visível de um problema estrutural que atravessa todo o arquipélago de empresas públicas e fundações municipais.
A Coderp, por exemplo, está oficialmente em liquidação — um reconhecimento formal de que o modelo se esgotou. A empresa, que deveria ser instrumento de modernização da máquina pública, tornou-se um passivo administrativo que o governo tenta desativar sem solução clara de transição. Enquanto isso, o então presidente da companhia, Evaldo Aparecido Felício, deixou o cargo após recomendação do Ministério Público, que apontou irregularidades na nomeação e abriu inquérito civil para apurar a composição da empresa.
A Cohab/RP, por sua vez, vive situação igualmente delicada. O MP também recomendou a destituição de seu presidente, Denis Donizete da Silva, o Denis Bomba, por violação das regras de governança do Estatuto das Estatais. A nomeação de um ex-vereador e ex-dirigente partidário para o comando da companhia habitacional contraria frontalmente o Decreto Municipal nº 081/2017, que veda a ocupação de cargos em estatais por dirigentes partidários. O governo Ricardo Silva disse que vai acatar a recomendação — mas a nomeação jamais deveria ter ocorrido se os controles internos funcionassem.
O que essas três empresas têm em comum? Todas são instrumentos da administração indireta que, na prática, funcionam sem a governança, a transparência e a profissionalização que a lei exige. A RP Mobi opera no vermelho e sobrevive de multas. A Coderp está em liquidação. A Cohab foi capturada por indicação política. O resultado é um conjunto de estruturas que custam caro ao município, entregam pouco à população e, quando questionadas, expõem a fragilidade dos mecanismos de controle da prefeitura.
O orçamento do município para 2026 é de R$ 5,4 bilhões. É dinheiro suficiente para exigir gestão profissional em cada centavo aplicado. O que se vê, no entanto, é um conjunto de empresas municipais operando sem planejamento estratégico, sem sustentabilidade financeira e, em alguns casos, sem respeito às regras mais elementares de governança. Não se trata de defender a extinção indiscriminada dessas empresas. A administração indireta pode ser um instrumento valioso quando bem desenhada e gerida com profissionalismo. O problema é que, em Ribeirão, essas estruturas se transformaram em cabides de indicação política e problemas sem solução à vista.
Enquanto as empresas municipais continuarem sendo tratadas como moeda de troca política, Ribeirão seguirá pagando a conta de um modelo que já deu mostras suficientes de que não funciona.