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Ribeirão Preto completa 170 anos. É uma data que convida à celebração, mas também à reflexão. Celebrar Ribeirão é reconhecer a força de uma cidade que se transformou em referência econômica, social e regional, com vocação histórica para liderar, empreender, produzir riqueza, gerar oportunidades e irradiar influência muito além de seus limites geográficos. Poucas cidades do interior brasileiro construíram uma identidade tão forte, marcada por trabalho, dinamismo e capacidade de superação.Ribeirão é grande por seus números, por sua economia diversificada, por seu comércio vigoroso, por sua pujança no agronegócio, na saúde, na educação, nos serviços e em tantos outros setores que fazem dela uma potência.
Mas Ribeirão também é grande por sua gente, por sua tradição de protagonismo e por seu papel social, que sempre a colocou em posição de destaque no cenário paulista e nacional. Não por acaso, em outros momentos de sua história, a cidade ocupou com naturalidade um espaço de comando, de influência e de formulação, servindo de exemplo para o país.É justamente por isso que esta data não deve ser apenas comemorativa. Ela precisa ser também um marco de cobrança e de responsabilidade.
Uma cidade com a dimensão de Ribeirão não pode se contentar em ser apenas forte economicamente. Precisa voltar a ser forte politicamente. Precisa oferecer ao Estado e ao Brasil uma liderança à altura de sua história. Precisa produzir consensos, formular agendas, defender seus interesses com maturidade institucional e recuperar a capacidade de conduzir debates relevantes no cenário nacional.
Infelizmente, esse caminho tem sido dificultado por uma sucessão de maus exemplos na vida pública local. Desde o início dos anos 2000, Ribeirão convive com feridas políticas que abalaram sua imagem e comprometeram seu protagonismo. Os escândalos de corrupção associados a Antonio Palocci e, mais tarde, à Sevandija, não apenas envergonharam a cidade, como ajudaram a consolidar uma crise de confiança que se arrasta até hoje. De lá para cá, em vez de uma reconstrução sólida, a população assistiu muitas vezes a uma classe política incapaz de aprender com os erros, repetindo práticas pequenas, disputas rasteiras e comportamentos incompatíveis com a grandeza de Ribeirão.É preciso dizer com clareza: a cidade merece mais.
Merece representantes que compreendam a responsabilidade histórica que carregam. Merece lideranças com visão, preparo, espírito público e compromisso verdadeiro com o interesse coletivo. Merece uma política que volte a honrar a energia de sua economia e a dignidade de sua população. Ribeirão não pode continuar apequenada por aqueles que deveriam elevá-la.A boa notícia é que aniversários como este também servem para renovar pactos.
Aos 170 anos, Ribeirão continua de pé, forte, viva e cheia de potencial. Sua história prova que esta é uma cidade capaz de se reinventar. Se houver seriedade, coragem e responsabilidade na condução política, Ribeirão pode, sim, retomar o lugar de comando que já ocupou e voltar a ser voz respeitada no cenário nacional. O futuro ainda pode ser tão grande quanto sua trajetória. E há razões de sobra para acreditar nisso.