Compartilhar notícia
Maio se aproxima como um daqueles momentos em que já não será mais possível empurrar a crise para debaixo do tapete. A Câmara de Ribeirão entrará em um mês decisivo, e o que está em jogo não é apenas o destino político de alguns vereadores, mas sim a própria capacidade do Legislativo de reagir com seriedade, transparência e firmeza a uma sequência de episódios que vem desgastando sua imagem perante a opinião pública.
De um lado, deve retornar o vereador Bigodini (MDB), cercado por acusações graves, entre elas a de ter dirigido embriagado. De outro, entra em reta final o processo de cassação de Lincoln Fernandes (PL), caso que já ocupa o centro do debate político local e que exige uma definição institucional clara. Não se trata, aqui, de antecipar sentenças ou substituir o devido processo legal pelo tribunal das redes sociais. Trata-se de reconhecer que a sucessão de denúncias, suspeitas e escândalos já ultrapassou há muito tempo o limite do tolerável para uma Casa que deveria ser exemplo de responsabilidade pública.
A população não espera perfeição de seus representantes. Espera decência, compostura e respeito ao mandato. E é justamente nesse ponto que a Câmara falhou em oferecer, até aqui, uma resposta à altura. Em vez de transmitir firmeza, muitas vezes passou a impressão de hesitação, silêncio conveniente ou cálculo político. Esse comportamento cobra um preço alto: quando o Legislativo parece se proteger mais do que se corrigir, a confiança pública desaba. E confiança, uma vez perdida, não se recompõe com notas protocolares nem com discursos indignados de ocasião.É preciso dizer com clareza: a Câmara precisa responder.
A cidade exige uma posição institucional, objetiva e corajosa. Se houver responsabilidade comprovada, que as consequências sejam aplicadas. Se houver defesa, que ela se dê às claras, sem encenação. O que não é mais admissível é a sensação de que tudo se arrasta enquanto a credibilidade da instituição se dissolve.
O novo presidente da Casa, Daniel Gobbi (PP), terá diante de si um verdadeiro teste de fogo. Sua gestão começará a ser medida não pelo discurso, mas pela capacidade de conduzir esse período com equilíbrio, firmeza e compromisso com o interesse público. Presidir a Câmara em tempos normais já exige habilidade política. Presidi-la em meio a denúncias, retorno de vereador contestado e processo de cassação em fase decisiva exige algo mais: autoridade moral, clareza institucional e coragem para não terceirizar decisões.
Gobbi terá a oportunidade de mostrar se sua presidência será apenas administrativa ou verdadeiramente política no melhor sentido da palavra: a política que organiza, enfrenta crises e preserva a legitimidade das instituições. Se agir com transparência e firmeza, poderá ajudar a Câmara a iniciar uma reconstrução de imagem. Se optar pelo silêncio e neutralidade conveniente, correrá o risco de ser engolido pela mesma crise que agora herda.
Maio, portanto, não será apenas mais um mês no calendário legislativo. Será o mês da verdade para a Câmara. E Ribeirão tem o direito de exigir que seus vereadores, e especialmente sua presidência, estejam à altura desse momento.