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O cenário político de Ribeirão Preto começa a ganhar contornos de turbulência antecipada. Ainda faltam meses para o calendário eleitoral impor suas regras formais, mas os bastidores já fervem — e o que se desenha é um ambiente de disputa intensa, fragmentação interna e tensão crescente.
O primeiro sinal mais evidente vem de dentro do próprio Partido Liberal (PL). A divergência pública entre Lincoln Fernandes e Isaac Antunes escancarou um racha que tende a produzir efeitos para além das declarações e dos bastidores partidários. Quando a disputa deixa de ser apenas estratégica e passa a ser pessoal, o desgaste se amplia — e a fatura costuma chegar na urna.
O episódio não é isolado. Ele é sintoma. Em ano pré-eleitoral, os partidos deveriam estar concentrados em organização, definição de prioridades e construção de consensos mínimos. O que se vê, porém, é a antecipação de embates que, inevitavelmente, se intensificarão à medida que as candidaturas forem sendo consolidadas.
Paralelamente ao conflito interno no PL, há uma série de postulantes buscando uma vaga na disputa à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados. São nomes que se movimentam silenciosamente, costuram apoios, testam viabilidade e alimentam expectativas. A pulverização de pré-candidaturas amplia o campo de incertezas e eleva a temperatura do debate político local.
É natural que a disputa exista. A democracia pressupõe confronto de ideias, projetos e lideranças. O que preocupa é quando o embate se antecipa ao debate qualificado e quando a divergência se converte em fragmentação improdutiva. A política perde densidade quando se transforma apenas em arena de conflitos internos.
Tudo indica que as tensões se tornarão cada vez mais frequentes. Com o avanço do calendário e a proximidade das convenções partidárias, as alianças serão testadas, os egos pressionados e os discursos radicalizados. O ambiente tende a se tornar mais ruidoso — e menos racional.
Alheia às disputas de bastidores, a população observa. E espera. Espera que o Legislativo cumpra sua função fiscalizadora, que os mandatos em curso mantenham o foco nas demandas concretas da cidade e que a classe política, independentemente de suas divergências, esteja à altura da responsabilidade que lhe foi conferida pelo voto.
A eleição virá. A disputa é legítima. Mas, até lá, há uma cidade que não pode ser refém das próprias ambições eleitorais.