A hora da verdade e a representatividade política

, atualizado

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O ano que se encerra finda com a sensação de dever cumprido, mas também com a clareza dos grandes desafios que persistem no horizonte de Ribeirão Preto. A gestão pública local, tal como refletido nos debates acalorados sobre legislação e fiscalização - a exemplo das recentes discussões sobre o Conppac e a tramitação apressada de projetos fiscais -, demonstrou que a busca pela eficiência administrativa ainda esbarra em velhas práticas e na resistência à participação cidadã plena.

É inegável o esforço empreendido pela administração municipal para manter o ritmo e buscar soluções inovadoras, como a intenção por trás dos programas de cashback fiscal. Contudo, é preciso reconhecer que as correções de rumo são imperativas. O ano vindouro de 2026 se apresenta como uma oportunidade de ouro para que o Prefeito Ricardo Silva, munido da experiência adquirida, possa revisitar as estratégias que geraram atritos - notadamente a delegação excessiva de poder normativo e a falta de diálogo com a sociedade civil - e reorientar a execução de projetos. Que o Executivo aprenda com os tropeços de 2025, corrigindo processos, mas sem abrir mão daquelas iniciativas que efetivamente alavancaram o desenvolvimento e a modernização da cidade.

Entretanto, a pauta mais urgente para o ano que se inicia é, sem dúvida, a política. Em 2026, Ribeirão Preto terá um papel crucial no cenário estadual e federal, pois será um ano de eleições gerais. Historicamente, nossa cidade, polo de desenvolvimento regional e potência econômica do interior paulista, tem sofrido com uma representação tímida e pulverizada nos corredores de poder em Brasília e na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP).

A cidade, que chegou a ter três deputados federais e cinco estduais smultanemente, além de secretários e ministros de Estado, vem, gradativamente, perdendo relevância. E prte desse problema diz respeito ao voto da população local, que, muitas vezes, acaba elegendo políticos de fora.

Este déficit de representatividade custa caro. Sem vozes fortes e coordenadas no Congresso Federal e na ALESP, Ribeirão Preto perde força na disputa por recursos, emendas parlamentares e a atenção necessária para grandes projetos de infraestrutura e segurança pública. É preciso que a comunidade política, empresarial e civil se mobilize para eleger e apoiar nomes que tenham não apenas a origem, mas o compromisso inabalável com o fortalecimento de nossa região.

O horizonte de 2026 nos convida ao otimismo cauteloso. A superação dos desafios internos da gestão e a reconquista de nossa relevância no panorama político nacional são tarefas indissociáveis. Desejamos sorte ao Prefeito Ricardo Silva em sua jornada de ajustes e aprimoramento, e conclamamos a classe política e a sociedade ribeirão-pretana a encararem o pleito de 2026 com a seriedade e o foco que a cidade merece, garantindo que a voz de nossa metrópole ressoe com a força de sua pujança.