'Vamos ampliar a capacidade de atrair profissionais e empresas'
Maurício Siqueira, diretor da CASACOR Ribeirão, fala sobre a edição 2026 e planos para o futuro
, atualizado
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O mundo da arquitetura e do design de interiores volta os seus olhos para Ribeirão Preto a partir da próxima semana, com a abertura da edição 2026 da CASACOR. O diretor da franquia na cidade, Maurício Siqueira, falou com o Jornal Ribeirão sobre as tendências que serão apresentadas, planos para o futuro e a consolidação da mostra.
Ribeirão segue como única cidade do interior do Brasil com uma franquia da CASACOR. Como a mostra dialoga com o estilo de vida do interior paulista?
A CASACOR Ribeirão Preto tem uma relação muito próxima com a identidade da cidade e da região. Mais do que isso, identificamos a cidade como um dos principais hubs de conexão entre arquitetura, arte, design e gastronomia do interior de São Paulo, reunindo uma cena criativa muito ativa e um público que valoriza experiências ligadas ao morar, à cultura e ao bem-estar. A presença da CASACOR na cidade reforça essa vocação e cria uma plataforma capaz de conectar profissionais, marcas, artistas e diferentes expressões da cultura local.
Esse diálogo com o território aparece tanto na escolha do imóvel quanto nos projetos apresentados pelos profissionais. Nesta edição, ocupamos uma residência emblemática da Avenida Sumaré, projetada na década de 1980 pelo arquiteto Marcos Tomanik, que traz características muito ligadas ao modo de morar local, como a integração entre áreas internas e externas e uma grande área central dedicada à convivência.
Ao longo da mostra, essa conexão se manifesta de diferentes maneiras: nas referências à cultura do café e à terra roxa, na valorização de artistas ligados a Ribeirão Preto, na presença da natureza e em ambientes que privilegiam encontros e relações humanas. A gastronomia também integra essa experiência e amplia o olhar sobre o morar, reforçando a ideia da casa como espaço de convivência, celebração e troca. É uma CASACOR que apresenta tendências contemporâneas e está conectada ao que acontece no Brasil e no mundo, mas que, ao mesmo tempo, reconhece a força criativa do interior paulista. Ao colocar em diálogo arquitetura, design, arte, gastronomia, memória e território, a mostra ajuda a evidenciar Ribeirão Preto como um polo de produção e circulação de ideias, sem perder de vista as características e a identidade que tornam a região singular.
Qual é o maior desafio de planejar e executar um evento desse porte?
Um dos grandes desafios é transformar uma residência existente em uma mostra com 31 ambientes, capaz de receber diferentes projetos, profissionais, marcas, fornecedores e milhares de visitantes, preservando ao mesmo tempo a identidade arquitetônica do imóvel e construindo uma experiência coerente para o público. Nesta edição, o desafio foi também fazer com que o tema "Mente e Coração" estivesse presente de maneira orgânica ao longo de todo o percurso, conectando arquitetura, design, paisagismo, arte, gastronomia e experiências. Essa complexidade também evidencia a força da cadeia produtiva regional. A mostra funciona como uma plataforma que conecta profissionais, fornecedores e marcas, gera oportunidades de negócios e amplia a visibilidade da produção criativa de Ribeirão e de seu entorno.
Quais são os planos para o futuro da franquia em Ribeirão Preto nos próximos anos?
Nosso objetivo é continuar consolidando a CASACOR Ribeirão Preto como uma plataforma relevante para o mercado de arquitetura, design, paisagismo, arte e decoração, fortalecendo cada vez mais a conexão entre profissionais, marcas, fornecedores e público. Para os próximos anos, queremos também ampliar a capacidade da mostra de atrair profissionais e empresas de todo o interior do Estado de São Paulo e do Sul de Minas, expandindo sua influência para além de Ribeirão Preto e fortalecendo seu papel como um importante ponto de encontro do setor na região. Esse crescimento passa pela valorização da força criativa local e regional, pela criação de novas conexões de negócios e pela oferta de experiências capazes de estimular novos olhares sobre o morar. A ideia é que a CASACOR Ribeirão Preto se consolide cada vez mais como uma vitrine para talentos, tendências e marcas e como um espaço de relacionamento e geração de oportunidades para todo esse mercado.
Quais são as principais tendências de consumo, materiais e tecnologia que ganham destaque este ano?
Percebemos uma busca muito forte por espaços mais afetivos, sensoriais e conectados ao bem-estar. Materiais naturais, madeira, pedra, cerâmica, fibras, tecidos e vegetação aparecem com frequência, assim como formas orgânicas, iluminação indireta e soluções que aproximam interior e exterior. Ao mesmo tempo, há uma valorização importante do design brasileiro, do artesanato, dos objetos com história e de escolhas mais atemporais, em contraponto a um consumo pautado apenas por tendências passageiras. A tecnologia aparece de maneira mais integrada e menos ostensiva. Em alguns ambientes, ela está associada às novas formas de viver e à funcionalidade da casa; em outros, surge relacionada à mobilidade elétrica, à iluminação ou à própria experiência proporcionada pelo espaço. É uma tecnologia pensada para servir às pessoas, em sintonia com o conceito "Mente e Coração".
Como a pauta da sustentabilidade e do consumo consciente foi incorporada nos projetos e na gestão da mostra?
Nos projetos, essa pauta aparece principalmente na valorização de materiais naturais, do artesanato, do design brasileiro e de elementos capazes de atravessar gerações, além da presença constante da biofilia e da integração com a natureza. Há também soluções mais objetivas, como um espaço que utiliza materiais pré-fabricados e incorpora uma proposta de mobilidade ligada à tecnologia dos veículos elétricos. Outro aspecto importante é a valorização da permanência e da memória. Alguns ambientes trabalham antiguidades, peças herdadas, objetos vintage e materiais marcados pelo tempo, propondo uma reflexão sobre escolhas mais duradouras e menos descartáveis.
Na gestão da mostra, esse compromisso se traduz em iniciativas concretas. Temos uma parceria com a Recicla , responsável pela seleção e destinação dos resíduos gerados durante todo o período do evento. Além disso, neste ano, em parceria com a Necta, parte da energia utilizada na casa é alimentada por geradores a gás natural, uma alternativa menos poluente em comparação a combustíveis mais intensivos em emissões. Dessa forma, procuramos tratar a sustentabilidade de maneira ampla, tanto no conteúdo apresentado pelos profissionais quanto na própria operação da CASACOR Ribeirão Preto, incorporando soluções que contribuam para um evento mais consciente e para uma reflexão sobre formas mais responsáveis de morar e consumir.
Como foi o processo de curadoria para selecionar os profissionais e ambientes desta edição?
A edição reúne diferentes gerações, linguagens e especialidades, construindo um percurso bastante plural. Essa diversidade permite abordar o tema "Mente e Coração" por perspectivas distintas: memória afetiva, brasilidade, maturidade, infância, arte, natureza, tecnologia, gastronomia, convivência e relação com a cidade. O resultado é uma narrativa em que cada profissional apresenta sua própria interpretação sobre as transformações do morar contemporâneo.
O que o público de Ribeirão Preto e região pode esperar de mais surpreendente na mostra deste ano?
Mais do que ambientes isolados, o público pode esperar uma verdadeira jornada. A experiência começa antes mesmo de entrar na casa e vai se transformando ao longo de 31 ambientes, passando por jardins, livings, quartos, cozinha, espaços de arte, varanda, restaurante, cocktail garden, café e áreas de convivência. Cada projeto oferece uma interpretação diferente do tema "Mente e Coração", e talvez o mais surpreendente seja justamente essa diversidade dentro de uma narrativa comum.
Há ambientes que recuperam a memória da cultura cafeeira de Ribeirão Preto, outros que discutem longevidade, infância, arte e colecionismo, além de propostas ligadas à biofilia, à tecnologia e às novas formas de ocupar os espaços urbanos. Ao final, o percurso retoma a relação entre memória, território e natureza e convida o visitante a refletir sobre como queremos viver em nossas casas.
A experiência vai além da visita aos ambientes. As áreas de gastronomia, lojas e eventos são abertas ao público em geral, permitindo que mesmo quem não esteja visitando a mostra possa frequentar esses espaços, participar da programação e vivenciar parte do universo da CASACOR. Essa abertura torna a mostra mais democrática e amplia sua conexão com a cidade.