Maria Rita:'É o maior show que eu já criei, pensei e concebi'
Cantora apresenta nesta sexta a abertura da turnê 'Redescobrir 2'
, atualizado
Compartilhar notícia
A cantora Maria Rita retorna a Ribeirão Preto nesta sexta-feira (24) para abrir a turnê "Redescobrir Vol. 2", um novo capítulo de um dos projetos mais marcantes de sua trajetória artística, com canções que marcaram profundamente a sua identidade musical. Mais do que uma homenagem a clássicos da música brasileira, o projeto é construído a partir de um olhar contemporâneo sobre um repertório que atravessa gerações.
A apresentação acontece no Multiplan Hall, espaço de eventos do RibeirãoShopping e ainda tem ingressos disponíveis pela plataforma Ticket Master.
Além de assinar a concepção artística e musical, a cantora divide com Batman Zavareze a concepção visual do espetáculo, que apresenta novas releituras de obras fundamentais da música brasileira.
No palco, Maria Rita imprime um olhar maduro e contemporâneo a esse repertório, em interpretações construídas a partir de um processo artístico cuidadoso. Sem perder a força de suas versões originais, as canções ganham novas nuances e estabelecem um diálogo sensível entre memória e presente.
Nessa entrevista exclusiva ao Jornal Ribeirão, a artista fala sobre sua relação com a cidade, a escolha do setlist para a apresentação e a emoção de levar músicas que a emocionam pessoalmente para os palcos.
Jornal Ribeirão: Ribeirão Preto é um polo cultural muito forte, que pulsa música e consome muita MPB, inclusive seus shows, que sempre tiveram grande público. Como você se sente voltando à cidade em uma turnê tão simbólica?
Concordo com tudo o que você colocou na sua pergunta… E eu tenho um carinho muito grande por Ribeirão Preto justamente pelo fato desse público sempre ter me recebido com tanta força, desde o início da minha carreira. É uma cidade quente, bonita, povo simpático… Com o passar desses quase 25 anos de estrada, ter a oportunidade do contato não só com o público, mas também com as tradições locais (Cervejaria Colorado, Theatro Pedro II, Pinguim), sem contar amizades locais (jamais esquecerei meus encontros com Dr. Sócrates na cidade), faz com que esse reencontro seja tão mais querido. Fiquei feliz no dia que abri minha agenda e vi que o primeiro show, oficialmente, da turnê vai ser aí.
O que o público pode esperar da estrutura e do conceito desse show do dia 24?
Rapaz… Tenho a impressão de que esse é o maior show que eu já criei, pensei e concebi até hoje… É um show que mexe profundamente comigo, que exige um nível de concentração que eu não lembro de ter tido antes… Eu fico um pouco receosa de falar do conceito, de estrutura, como você pediu, por medo de estragar a entrega!!! (rss) Mas acho que uma dica eu posso dar sem medo: prestem muita atenção às letras das três músicas que formam a abertura do show…
Como tem sido para você a curadoria desse setlist atual? Conseguir equilibrar os grandes sucessos que o público faz questão de cantar junto com canções que tocam o seu coração no momento atual da sua carreira é um desafio?
Não é um desafio, muito pelo contrário… É quase um susto cada vez que me pego trabalhando em roteiro de show e percebo quão grande, extensa e forte é minha relação com o público. Neste espetáculo, no entanto, eu me reservei o direito de ser um pouco egoísta e não prestar tanta atenção a esse entendimento, a essa expectativa. É um show que nasceu de um momento muito desafiador da minha vida (tanto profissional e pessoal), e esse repertório vem me possibilitar a busca consciente pelo colo de minha mãe, nas letras que ela cantava. É um show pra mim. Mas que é absolutamente possível de compartilhar com o público. Afinal, é isso que me faz artista: esse compartilhar de não só luz, mas também de sombra.
Existe alguma música específica nesse show que, para você, representa o ápice da troca e da comunhão com a plateia? Aquela que você já canta sabendo que o público vai junto em uma só voz?
Ribeirão é a primeira cidade oficial dessa turnê… Eu fiz uma apresentação em Porto Alegre, em março, e depois só duas apresentações, mais curtas, em eventos específicos. Mas, considerando que o repertório é todo das canções de minha mãe, acho que "Como Nossos Pais" é uma forte à beça… Neste final de semana, participei de um festival em Brasília, e o público me surpreendeu num momento do show… Então, não sei… Vamos descobrir juntos!
Você tem uma ligação muito forte com o samba. Como você enxerga o papel do gênero hoje como uma força que une as pessoas, especialmente em momentos onde todos nós precisamos de leveza e afeto?
Historicamente, o samba é isso mesmo, né? Essa união. Só que, na raiz da cultura do samba, está a resistência de um povo que sequer podia andar na rua sem ser abordado e, legalmente, atacado, violentado, aprisionado. A cultura do samba nasce da união de um povo oprimido. O samba é generoso, é fundamental, é identidade nacional. Mas tem que chegar de cabeça baixa e pedindo licença. Hoje, o samba é mais difundido, ganhou linguagens diferentes, dinheiros diferentes, tamanhos diferentes. Porém, eu faço questão de apontar que samba não é bagunça, sabe? Não é turismo. Não dá pra ficar tratando o samba como modinha, no diminutivo. Samba tem nossos mais velhos, muita fibra e muita força e importância histórica.
Sua interação com o público no Threads tem gerado muita repercussão. Você ganhou até o apelido de "síndica" por lá. Como isso começou e como isso reflete no seu processo criativo?
Na verdade, meu posto no Threads é de "subsíndica de alguns" (risos). Como que isso começou… Eu não sei!!! Eu estava procurando um canal diferente de contato com o público, que não fosse aquela outra rede que está insuportavelmente agressiva (e eu, particularmente, não aprovo das condutas do proprietário) ou ainda aquela outra de imagens, que me distrai demais!!! Comecei por lá meio timidamente, mas a comunidade da rede é muito interessante e me conquistou. Eu tenho limitador de tempo de uso de quase todos os aplicativos do meu celular, mas, no Threads, vira e mexe eu simplesmente ignoro! Com relação ao processo criativo, não acredito que tenha um reflexo direto. Por exemplo, enquanto eu estava estudando e escolhendo repertório, ensaiando pra turnê ou simplesmente pensando projetos para mim e para outros, eu me desligo completamente das redes. No entanto, o fato dessa rede proporcionar uma troca leve (e com tempo calculado, por dia) indiretamente me ajuda por me trazer silêncio sem poluição visual, sem discursos tóxicos (em sua grande maioria).