'O agro tem uma relação histórica com o cooperativismo'

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César Augusto Campez, presidente do Sicoob Cooperac
César Augusto Campez, presidente do Sicoob Cooperac - Foto: Divulgação
César Augusto Campez, presidente do Sicoob Cooperac - Foto: Divulgação

O SNCC (Sistema Nacional de Crédito Cooperativo) atingiu recentemente a marca de R$ 1 trilhão em ativos. Em um país marcado pela concentração bancária, o número surpreende.

À frente do do Sicoob Cooperac, uma cooperativa fundada em Ribeirão Preto, César Augusto Campez, relaciona a expansão do segmento a fatores como relacionamento das instituições com seus cooperados e a entrega de resultados além dos financeiros.

Em entrevista ao Jornal Ribeirão, ele fala também a expansão da cooperativa para setores além do agronegócio.

Qual é o maior desafio em presidir uma instituição onde os clientes são, ao mesmo tempo, donos do negócio?

O maior desafio — e ao mesmo tempo o maior diferencial — é equilibrar gestão eficiente com participação democrática. No nosso modelo, inclusive, não utilizamos o termo “cliente”, mas sim cooperado, justamente porque ele é dono do negócio. Isso significa que cada decisão precisa gerar valor sustentável para o coletivo, não apenas resultado financeiro imediato. Esse modelo exige transparência, proximidade e um esforço constante de educação financeira, para que o cooperado compreenda seu papel e participe ativamente das decisões. Quando isso acontece, construímos uma relação muito mais sólida, consciente e de longo prazo.

Ribeirão Preto e região concentram um volume expressivo de cooperativas de crédito. A presença forte do agro nesses municípios tem relação com esse cenário?

Sem dúvida. O agro tem uma relação histórica com o cooperativismo, baseada em colaboração, confiança e visão de longo prazo. Isso favorece o desenvolvimento das cooperativas de crédito na região. Mas hoje vemos uma expansão além do agro: empresários, profissionais liberais e pessoas físicas têm buscado cada vez mais o cooperativismo como uma alternativa mais próxima, justa e transparente ao sistema financeiro tradicional.

O SNCC atingiu recentemente a marca de R$ 1 trilhão em ativos. O que isso representa para o setor?

Esse marco consolida o cooperativismo de crédito como um dos pilares do sistema financeiro nacional. Não é apenas um crescimento em volume, mas em relevância. Mostra que o modelo cooperativo é sólido, competitivo e capaz de entregar valor real para milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo, aumenta nossa responsabilidade em manter a governança, a segurança e a essência do cooperativismo: gerar benefícios para os cooperados e para a comunidade.

Enquanto os bancos tradicionais têm fechado agências, cooperativas de crédito têm reforçado o atendimento presencial. O senhor relaciona essa estratégia ao crescimento dessas instituições?

Sim, porque nosso modelo é baseado em relacionamento. A tecnologia é fundamental e está presente no nosso dia a dia, mas ela não substitui o contato humano. O cooperado quer ser ouvido, orientado e atendido por alguém que entenda sua realidade. O atendimento presencial, aliado aos canais digitais, fortalece a confiança e gera uma experiência mais completa — e isso tem sido um fator importante para o crescimento das cooperativas.

Existem planos para a abertura de novos pontos de atendimento ou expansão para outros municípios do estado de São Paulo no curto prazo?

A Cooperac cresce de forma planejada e sustentável. Estamos sempre avaliando oportunidades de expansão, mas com foco em manter a qualidade do atendimento e a proximidade com o cooperado. Nosso objetivo não é crescer apenas em número de agências, mas em relevância nas comunidades onde já atuamos. Quando avançamos para novos mercados, fazemos isso com estratégia e responsabilidade.

Diante das oscilações da economia nacional, quais são as principais estratégias da Cooperac para garantir taxas competitivas e segurança para os cooperados?

Nossa principal estratégia é a eficiência operacional aliada à proximidade com o cooperado. Como não temos a lógica do lucro para acionistas, conseguimos devolver valor em forma de melhores condições, como taxas mais competitivas e distribuição de sobras. Além disso, mantemos uma gestão de risco rigorosa e uma carteira diversificada, o que garante segurança mesmo em cenários econômicos desafiadores.