'Precisamos apostar nas pessoas'
Dono de faculdades e secretário de Cidadania, Cláudio Romualdo analisa cenário da educação à distância e projeta candidatura política
, atualizado
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Professor, gestor acadêmico e empresário do ensino superior privado, Claudio Romualdo construiu sua trajetória na educação antes de ingressar na administração pública municipal. E define o que considera fundamental em qualquer área de atividade: as pessoas.
"Acredito nas pessoas, acredito na cidade, na política, na educação e, principalmente, no crescimento das pessoas. Acho que precisamos apostar nelas".
Formado em Filosofia e Pedagogia, com mestrados em Educação e em Desenvolvimento Regional e doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), ele também concluiu pós-doutorado em Psicologia pela PUC-Campinas. Empresário, fundou instituições como Faculdade Metropolitana, com atuação presencial e à distância, além de ser dono de colégios em Franca e Ribeirão.
Sem esconder que é amante dos animais - é "cachorreiro", como ele mesmo define, o atual secretário da Cidadania, Pessoa com Deficiência e Inclusão Social, Romualdo confirmou filiação ao PSD e preparação para disputar uma vaga de deputado federal.
Nesta entrevista ao Jornal Ribeirão, ele fala sobre educação a distância, regulação do setor, gestão pública e projeto político. Confira.
JORNAL RIBEIRÃO: Como começou sua trajetória na educação?
Claudio Romualdo: Tenho 23 anos como empresário da educação, mas minha trajetória começa antes, na carreira acadêmica. Atuei como professor universitário, gestor e, depois, como mantenedor. Além, obviamente, de ter sido aluno. Conheço o processo todo.
Como a carreira acadêmica influenciou sua atuação empresarial?
Eu construí as duas trajetórias juntas. Continuei pesquisador mesmo como empresário, e essa formação acadêmica foi fundamental para me consolidar como empreendedor da educação.
O que motivou seu trabalho no ensino superior?
Ao atuar como professor e gestor em Ribeirão Preto, Batatais e Franca, percebi uma grande lacuna: a dificuldade de acesso das pessoas ao ensino superior. Minha principal luta passou a ser ampliar esse acesso. A educação a distância foi o caminho que encontrei. Estudo e trabalho com EAD desde o início dos anos 2000. Viajei para os Estados Unidos e para a Europa em busca de experiências inovadoras que pudessem ser aplicadas no Brasil. Em 2002, criei a primeira faculdade em Pirassununga, a Fatece, que foi credenciada entre 2002 e 2006. A partir daí, fui expandindo minha atuação como empresário da educação.
E a Metropolitana?
Em 2010, fundei a Metropolitana em Ribeirão Preto, junto com a Escola Metropolitana. Implantamos o curso presencial de Administração com chancela da FGV e estruturamos uma escola de negócios. Depois, credenciamos a instituição também para o EAD. Hoje o grupo conta com três faculdades, incluindo a Metropolitana de Franca e o Colégio Copérnico. Atuamos em todo o Brasil por meio da educação a distância, com alunos em todos os estados e presença muito forte em São Paulo.
Como o senhor avalia o papel da Metropolitana no cenário nacional?
Acredito que a Metropolitana seja hoje uma das faculdades regionais de maior peso no Brasil. É uma instituição nascida em Ribeirão Preto, fora dos grandes grupos e do capital aberto, mas com impacto relevante tanto quantitativo quanto qualitativo, aliando tecnologia e pedagogia. Estamos à frente de muitos grupos.
O que muda com o novo marco regulatório do EAD?
Hoje, com o marco, para que um negócio possa se estabelecer, de fato, o empresário da educação no EAD vai ter que se preocupar muito com investimentos, porque, para cumprir o novo marco regulatório, que foi sancionado e promulgado agora em 2026, temos uma necessidade muito grande de qualidade e de infraestrutura.
Um exemplo: a Metropolitana tem uma infraestrutura condizente com o ensino presencial. Então toda instituição hoje que pensa no EAD tem que entender que toda a sua infraestrutura deve ser equivalente à infraestrutura do presencial. São salas de aula, laboratórios, bibliotecas, espaços de convivência, estúdios. Ou seja, é toda uma infraestrutura que demanda qualidade também no EAD. Não é possível mais fazer EAD sem infraestrutura.
Se alguém tentou fazer, fez errado e, não tem espaço. Só fica no mercado hoje quem entende que a regulação não é diferente para o presencial e para o EAD: é a mesma infraestrutura. E, para o EAD, é até mais exigente ainda, porque exige pessoas especializadas, infraestrutura tecnológica, pessoas preparadas para serem um novo professor, conteudista, tutor, que, de certa forma, é uma nova versão de professor. Isso exige investimentos.
Mudando de assunto, o senhor chegou a ser cotado para assumir a Secretaria de Educação em Ribeirão. Esse cargo te atrai?
Houve especulação por parte da sociedade, tanto de grupos quanto de entidades civis. Mas, por parte do governo, nunca houve nenhum convite formal. Havia, sim, especulações também dentro do governo, mas eu não recebi nenhum convite de forma oficial. Mas fui convidado para outras pastas, estou em outra pasta.
Se eu teria vontade... neste momento, não, porque acredito que a Educação hoje está sendo comandada por um técnico que é excepcionalmente bem preparado para conduzir a educação de Ribeirão Preto. Então, neste momento, não tenho nenhuma intenção e nenhum interesse. Lógico que acabamos ajudando enquanto secretário de outra pasta, trabalhando de forma integrada e contribuindo
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Atualmente, o senhor é secretário de Cidadania e Pessoa com Deficiência. Foi ai que a mosca azul da política picou você?
Recebi o convite, há mais de um ano, para assumir o Instituto do Livro e, em setembro de 2025, a Secretaria da Cidadania. O prefeito me convidou e eu assumi com muita satisfação, porque é uma área para a qual tenho preparo e também muita vontade de fazer com que seja uma pasta capaz de transformar vidas em Ribeirão Preto. É uma pasta que trabalha com muitas pautas: pautas da mulher, questões raciais, pessoa com deficiência. Ou seja, trabalha com a população toda.
Isso faz com que eu me sinta muito responsável por contribuir para que Ribeirão Preto tenha cada vez mais cidadania, dignidade e possibilidade de desenvolvimento das pessoas enquanto cidadãos e trabalhadores.
Recentemente, o senhor filiou-se do PSD. Tem ambições políticas ainda em 2026?
Acabei de me filiar ao PSD. A motivação veio a partir dessa experiência como secretário e também por aspirações que já tinha para entrar na vida pública. Pretendo concorrer à Câmara Federal. Já estou iniciando um trabalho de formação de equipe e de base, visando Brasília.
O senhor defende o fortalecimento do voto local?
Acredito que esses votos que foram conquistados por candidatos de fora e que hoje estão vagos representam uma grande oportunidade. Há uma lacuna muito grande de possibilidades. Os candidatos de Ribeirão podem preencher essa lacuna. Podemos fazer com que Ribeirão vote em pessoas da cidade, que tragam recursos federais para o município e ajudem no desenvolvimento regional. Essa é a aposta que acredito que os candidatos locais precisam trabalhar em suas plataformas.
Como considera que pode contribuir no debate dos grandes temas nacionais?
Sou uma pessoa que passou por muitos desafios. Desafios que levaram a vitórias, mas também a muitas tristezas. Perdi um filho, perdi um enteado, e isso faz com que você reflita muito sobre a vida e dê novos significados a ela.
Nos últimos anos, aprendi muito com minhas vitórias e, principalmente, com minhas perdas. Elas fizeram com que eu ressignificasse a minha vida. E acredito que essa entrada na política também é uma forma de ressignificação, colocando minha vida mais no âmbito do coletivo do que do individual. Sou uma pessoa muito otimista. O fato de entrar na política mostra isso. Acredito nas pessoas, acredito na cidade, acredito na política e no crescimento das pessoas. Acho que precisamos apostar nelas.