'O maior desafio é manter escritores unidos'
Com papel central na literatura em Ribeirão, Helena Agostinho fala sobre desafios do setor
, atualizado
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Presidente da União dos Escritores Independentes e da seção de Ribeirão Preto da União Brasileira dos Trovadores, Helena Agostinho é um personagem central na cena literária da cidade.
Além de organizar eventos e discutir cenários para quem vive das letras, ela também conta histórias em atividades promovidas por empresas e instituições.
Ao Jornal Ribeirão, ela fala sobre as aventuras e desafios do setor.
Jornal Ribeirão: Qual é o principal desafio de liderar uma união voltada especificamente para escritores independentes em uma cidade com uma tradição literária tão forte como Ribeirão Preto?
Helena: O desafio é mantê-los (escritores) unidos e comprometidos com nossos eventos. Os saraus e outras ações que a gente promove para manter a atividade são muito importantes para o grupo.
JR: Como a UEI tem trabalhado para tirar o escritor daquele isolamento criativo e transformá-lo em parte de uma engrenagem cultural ativa?
Olha, para mantê-los fora desse isolamento criativo nós promovemos saraus e concursos literários e participamos ativamente de todos os eventos possíveis, interagindo com outros grupos. É assim que a criatividade flui! Para que haja interesse em participar é preciso comprometimento de todos.
Com as facilidades das plataformas digitais, publicar ficou mais fácil, mas ser lido continua difícil. Como você enxerga o equilíbrio entre a quantidade de obras produzidas e a formação de novos leitores?
Eu acredito que, para criar novos leitores, é aí que entram os contadores de histórias. Acredito que nós somos instrumentos de incentivo à leitura. É um desafio muito grande, na era da Internet, com tanta facilidade de obter conteúdo. Os contadores têm uma função muito importante nesse quadro.
O que os autores da nossa terra têm buscado dizer?
Muitos querem dizer sobre a dificuldade de lançar um livro, principalmente para quem está no início. Geralmente, esses escritores não têm tanto espaço. Sempre é muito caro para produzir.
Qual a importância da Feira Internacional do Livro de Ribeirão para os membros da UEI e como a união se prepara para ocupar esses espaços?
Quanto à FIL, ela é importantíssima. Não só para os escritores da UEI, mas para todos os grupos que fazem arte na cidade e na região. É o oportunidade perfeita para mostrar o nosso trabalho fora do contexto dos grupos e até fora do Brasil, já que é um evento internacional.
Nos preparamos para ela com os saraus para a feira. Temos também a distribuição de livros, através do "Poesia na bandeija", que é um dos eventos que realizamos. Literalmente, nós distribuímos poesia.
Sempre tem música e declamação. Essa é a nossa parte, além de participarmos também do espaço dos escritores de Ribeirão e Região, colocando livros lá no espaço para venda.
É uma oportunidade de mostrar os nossos livros e nossos trabalhos.
Se você pudesse dar apenas um conselho para aquele escritor que guarda seus manuscritos na gaveta por medo do julgamento, qual seria?
Eu já fui um deles, lá no meu início! O conselho que eu daria é que é preciso ter coragem para enfrentar o medo. Participar dos grupos e, aos poucos, mostrar o seu trabalho. Tem gosto para tudo e espaço para todos. temos que correr atrás dos nossos sonhos.