'Lula é o candidato natural. E cargo de vice é de confiança'
Em visita a Ribeirão, Geraldo Alckmin fala sobre papel da cidade no agro e garante participação na Agrishow
, atualizado
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Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin é um dos políticos mais experientes do país. Médico anestesista formado pela PUC-SP, iniciou a carreira pública ainda jovem, foi prefeito de Pindamonhangaba, deputado estadual, federal, vice-governador e governador de São Paulo por quatro mandatos, além de ter disputado a Presidência da República.
Em 2022, selou uma aliança histórica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-se peça-chave na reconstrução do diálogo político e econômico do país.
Com forte ligação histórica com o interior paulista, Alckmin mantém relação direta com Ribeirão Preto. Ele esteve recentemente na cidade para o lançamento do programa federal de renovação da frota de caminhões.
Nesta entrevista ao Jornal Ribeirão, Alckmin detalha os impactos do acordo Mercosul-União Europeia, classificado por ele como o maior já firmado entre blocos econômicos, além de defender mudanças no Imposto de Renda.
No cenário político para as eleições de 2028, afirma ter orgulho do trabalho realizado e indica Lula como "candidato natural", sem, contudo, cravar sua continuidade. "Vice é cargo de confiança". Confira os principais trechos da entrevista.
JORNAL RIBEIRÃO: Qual é o peso do acordo Mercosul-União Europeia para o Brasil?
GERALDO ALCKMIN - Este é o maior acordo já firmado entre blocos econômicos, reunindo 720 milhões de consumidores e US$ 22 trilhões em PIB. Vamos zerar tarifas em vários produtos, criando livre comércio com regras, o que amplia oportunidades para a indústria, o agro e os serviços.
Quem ganha com esse acordo na prática?
A sociedade é a principal beneficiada, com produtos mais baratos e de melhor qualidade. Comércio exterior é "emprego na veia", porque muitas empresas só sobrevivem exportando. Isso fortalece o agronegócio, a indústria e os serviços.
O que muda para o agronegócio brasileiro?
No agro, nós vamos poder exportar praticamente quase tudo para 27 países, dos mais ricos do mundo. Já reduzimos tarifas de suco de laranja, carnes, café, frutas, aviões e madeira — de 36% para 19% em alguns casos. Estamos trabalhando para excluir mais produtos e fazer um ganha-ganha.
O que o ministro vê de vantagem no tratado Mercosul e União Europeia para a região de Ribeirão Preto?
A região de Ribeirão Preto, polo tradicional do agropecuário e canavieiro, terá forte impulso, com tarifas zeradas ou reduzidas em 77% dos produtos agro que a UE compra do Mercosul. Açúcar, etanol, café, sucos e carnes ganham mercado enorme, gerando emprego na veia aqui no interior paulista, onde o agro é motor da economia local.
Como fica a reação da União Europeia com o Brasil?
A União Europeia terá déficit significativo na balança agrícola conosco, beneficiando expressivamente Ribeirão Preto e o Brasil. Nossa maior oferta de commodities de alta qualidade e competitividade gera superávit para o agro nacional, atrai investimentos e fortalece a cadeia produtiva regional, como o etanol e o café que saem daqui para o mundo.
Em que estágio está a implementação do acordo?
A vigência é em 2026, após aprovação no Parlamento Europeu e no Congresso Nacional. O Brasil precisa aprovar no primeiro semestre para valer no segundo — não vamos parar o processo.
Esse é um marco para a economia brasileira, especialmente para o presidente Lula, sem sombra de dúvidas, o agente que mais lutou para que esse acordo fosse firmado. São mais de 25 anos trabalhando neste objetivo, quase 20 anos em que o presidente Lula atua com protagonismo nessa vitória.
Como o senhor avalia o impacto da reforma tributária na economia?
A reforma simplifica IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS em um IVA dual, gerando eficiência. Projeta R$ 28 bilhões a mais na economia, beneficiando comércio, indústria e campo, com justiça tributária para todos os setores, inclusive o agro de Ribeirão.
Sobre o Imposto de Renda, o que o senhor defende?
É absurdo quem ganha R$ 3 mil pagar IR. Defendo um sistema mais progressivo: alívio na base, mais tributação sobre renda alta. Antes, o imposto sobre consumo era igual para pobres e ricos — isso muda.
O senhor veio a Ribeirão Preto para o lançamento do programa de renovação de frota de caminhões. Por que Ribeirão?
Escolhemos Ribeirão por ser polo logístico chave no interior, com cooperativas fortes e transportadoras essenciais para o agro regional. Aqui, acompanhei a entrega dos primeiros Iveco adquiridos pela Rodonaves hoje, marco do Move Brasil — prioridade para nossa gente que carrega o Brasil nas costas.
Como funciona exatamente o programa?
Destinamos R$ 10 bilhões em crédito, com juros pela metade: de 22%-25% para 13%-14% ao ano. Atende autônomos, cooperados, frotistas e empresas de cargas — financiando zero quilômetro ou seminovos a partir de 2012, trocando veículos de 15 anos por modelos mais modernos e eficientes. Isso impulsiona a indústria de caminhões, autopeças e o comércio local, gera emprego e reduz custos logísticos para o agro de Ribeirão. Veículos novos quebram menos, competem melhor e cabem no bolso, com prestações pela metade — direto para o caminhoneiro de cá.
Sobre política, como analisa o cenário para 2028?
O presidente Lula é o candidato natural. Lula é o presidente e, na eleição, o atual é sempre o candidato natural. E é um candidato forte.
O senhor pode abrir mão da vaga de vice, em nome de uma composição ampla?
Cargo de vice é confiança do titular. Estou gostando do trabalho que temos feito pelo País. Quanto à minha participação, tudo tem o seu tempo.
Sobre o prefeito Ricardo Silva, houve, recentemente, uma agenda que envolveu o presidente Lula, inclusive com troca de afagos entre os dois. Existe essa aproximação?
Nossa vinda a Ribeirão trata-se de uma articulação federal-municipal com o prefeito Ricardo Silva para infraestrutura, saúde e logística. Ribeirão ganha com o Move Brasil no agrotransporte e com o SUS fortalecido — desenvolvimento concreto para nossa gente.
O senhor e o presidente Lula participarão da Agrishow deste ano?
Dou garantia total da minha presença na Agrishow 2026, maior feira agro do mundo, aqui em Ribeirão. Sobre a agenda do presidente Lula, ele tratará pessoalmente. Teremos financiamento recorde para o agronegócio este ano, impulsionando toda a região de Ribeirão Preto com benefícios nacionais, mas esse assunto específico será pauta especial do presidente Lula.