Consórcio imobiliário: 6 dicas para quem quer acertar na compra da casa própria
Crescimento na adesão reflete busca por alternativas sem juros e com mais planejamento para conquistar o imóvel próprio
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Comprar a casa própria faz parte do sonho de muitos brasileiros, mas nem sempre é fácil saber por onde começar. Em um cenário de juros elevados, o consórcio surge como uma alternativa que vem atraindo cada vez mais interessados. Em 2025, 1,35 milhão de brasileiros compraram uma cota de consórcio de imóvel, um crescimento de 36% em relação a 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).
O movimento reflete a busca por opções mais acessíveis e planejadas para quem quer comprar um imóvel e não tem a disciplina de poupar, já que no consórcio é preciso pagar uma cota de valor fixo por mês. O fato de não ter incidência de juros, principal motivo que encarece os financiamentos tradicionais, também contribui para o aumento na procura.
“A busca por alternativas sem juros e com maior previsibilidade tem atraído um público cada vez maior, que vê no consórcio uma forma de investimento que torna possível viabilizar a compra de um imóvel a médio e longo prazo”, avalia Philippe Enke Mathieu, especialista em Inteligência Financeira.
Diferente do financiamento, no consórcio o participante paga parcelas mensais que correspondem a uma fração do valor do imóvel, acrescidas de taxa de administração, geralmente mais baixa do que os juros bancários. Além disso, o valor das parcelas tende a ser menor, facilitando a organização do orçamento familiar.
Outro ponto que tem levado muitos brasileiros a fazerem essa escolha é a flexibilidade. Ao ser contemplado (seja por sorteio ou lance), o consorciado pode utilizar a carta de crédito para negociar à vista, o que amplia o poder de barganha e pode resultar em melhores condições na compra do imóvel.
No entanto, é preciso ter organização financeira, disciplina e planejamento para a compra por meio do consórcio, já que não há garantia de contemplação imediata. “Por isso, é essencial avaliar qual é o seu perfil financeiro e quais os seus objetivos de médio e longo prazo”, observa Mathieu.
Confira 6 dicas do especialista para acertar na compra da casa própria por meio de um consórcio imobiliário:
Planeje o prazo com estratégia
Definir um prazo que caiba no orçamento é essencial para manter a saúde financeira ao longo do consórcio. Também é importante evitar comprometer mais do que 30% da renda mensal com as parcelas. “Um bom planejamento garante não só a adesão, mas a permanência no consórcio até a contemplação”, avalia o especialista.
Avalie sua capacidade de lance
Ofertar lances pode acelerar a contemplação e antecipar a compra do imóvel, por isso, é importante organizar uma reserva financeira paralela.
“Quem se planeja para ofertar lances aumenta significativamente as chances de contemplação mais rápida”, explica especialista.
Use o FGTS para reduzir custos
O Fundo de Garantia pode ser utilizado para ofertar um lance, aumentar o valor da carta de crédito ou até amortizar parcelas após a contemplação. Antes de usar, é importante verificar se você atende às regras, como não possuir outro imóvel na mesma cidade e ter pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS.
Escolha bem a administradora
Optar por uma administradora autorizada e com boa reputação é fundamental. Para garantir uma boa escolha, pesquise o histórico, avaliações da empresa e o ranking de reclamações de administradoras de consórcio no Banco Central. Isso garante mais segurança e transparência ao longo do processo.
Entenda o contrato antes de assinar
É fundamental ler atentamente todas as cláusulas para evitar surpresas no futuro, além de ficar atento às taxas administrativas, reajustes e regras de contemplação. Ter clareza sobre o contrato é essencial para uma decisão segura.
Use a carta de crédito com inteligência
Ao ser contemplado, utilize a carta como poder de compra à vista. “Isso é uma boa estratégia, pois pode abrir espaço para negociações e descontos no imóvel e uma boa negociação pode gerar uma economia significativa na aquisição”, ressalta Mathieu.