Obras, falhas e o prejuízo no comércio: a Via-sacra da 9 de julho
O que deveria ser a entrega definitiva de uma revitalização histórica transformou-se em um canteiro de obras intermitente
, atualizado
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A Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto, vive um novo capítulo de uma crise que se arrasta há anos. O que deveria ser a entrega definitiva de uma revitalização histórica e a implantação de um corredor de ônibus moderno transformou-se em um canteiro de obras intermitente. Neste mês de março, a via volta a apresentar pontos de interdição, cavaletes e cones, expondo falhas estruturais no pavimento de paralelepípedos que custou mais de R$ 32 milhões aos cofres públicos.
A situação atual é marcada por pedras soltas, vãos excessivos entre os blocos e pontos de erosão que surgiram após as chuvas de verão. Na extensão da Nove de Julho entre a Avenida Independência, além da interdição do quarteirão até a rua Floriano Peixoto, a reportagem identificou mais quatro pontos de atenção até a rua São José. A empresa responsável pela execução, Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda., já foi notificada pela Prefeitura de Ribeirão Preto para corrigir as irregularidades. No entanto, o Secretário de Obras Públicas, Walter Telli, admitiu recentemente que o serviço apresenta vícios de execução tão graves que a administração municipal cogita a necessidade de retirar o pavimento e refazer trechos inteiros.
Em nota, a prefeitura afirmou que o tombamento da via dificulta a manutenção.
"Por se tratar de via tombada como patrimônio histórico, a avenida Nove de Julho segue diretrizes técnicas específicas definidas pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município (CONPPAC). Entre essas determinações está a impossibilidade de realizar rejuntamento entre os paralelepípedos, conforme previsto no projeto elaborado na gestão anterior", diz o texto encaminhado ao JR.