Prefeitura recua em empréstimo para compra de ônibus elétricos
Contemplado pelo PAC com R$ 210 milhões, município não vai assinar o contrato previsto com o governo federal
, atualizado
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A Prefeitura de Ribeirão Preto deve desistir de um financiamento de R$ 210 milhões, aprovado em 2024 pelo governo federal, para a compra de ônibus elétricos. Contemplado com os recursos via PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) durante a gestão do ex-prefeito Duarte Nogueira (PSD), o projeto foi recebido com ressalvas pela administração do prefeito Ricardo Silva (PSD).
O principal motivo do recuo é o modelo de operação das linhas, hoje exploradas pelo Consórcio PróUrbano. Pelo contrato, é dele a responsabilidade de adquirir os veículos que rodam pela cidade.
Hoje, o consórcio atua com 306 ônibus movidos a Diesel e quatro elétricos adquiridos por determinação da prefeitura. Comprados após as empresas receberem um repasse de R$ 70 milões do município, além de subsídios mensais, os modelos têm ar-condicionado, carregador de celular e novos validadores para recebimento através de PIX e cartão de crédito.débito. O projeto selecionado pelo PAC impactaria cerca de 20% dessa frota.
As regras do programa federal previam a compra dos ônibus pelo município. Outra exigência era de que os veículos fossem fabricados no Brasil.
Ao anunciar a seleção do município pelo PAC da Mobilidade, o então prefeito Duarte Nogueira chegou a cogitar repassar os veículos elétricos para o consórcio por meio de contratos de comodato. A proposta não agradou o corpo técnico da nova administração.
Outro ponto considerado "problemático" foi a aprovação, posterior, de outro financiamento do PAC: um projeto de mais de R$ 1,1 bilhão para implantação de um corredor de mobilidade conectando as zonas Leste e Oeste da cidade. O acordo foi assinado com pompa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no final do ano passado.
A avaliação é de que o contrato para eletrificação parcial da da frota "pesaria" no orçamento sem trazer grandes benefícios para os usuários, além de reduzir o espaço fiscal para contratações de novos créditos para obras consideradas prioritárias pela gestão.
Apesar de subsidiadas, as operações têm juros e são pagas pelo município, sob pena de bloqueio em repasses tributários.
Em nota, a Secretaria de Comunicação do governo Ricardo Silva ressaltou que a cidade "segue contemplada" pelo financiamento, mas aponta que a frota foi trocada recentemente e que "atende" aos requisitos contratuais.
"A operação e a gestão da frota são atualmente de responsabilidade integral do Consórcio PróUrbano, que vem cumprindo as condições previstas em contrato e, recentemente, realizou a entrega de 40 novos ônibus convencionais e quatro veículos elétricos, reforçando e qualificando o serviço prestado. Neste momento, a frota em circulação atende às exigências contratuais e não apresenta necessidade imediata de substituição. Ainda assim, a Prefeitura não descarta a adoção de novas medidas futuras, sempre com foco na melhoria contínua do atendimento à população", diz o texto encaminhado ao Jornal Ribeirão.
Chefe da RP Mobi era defensor da troca
O diretor superintendente da RP Mobi - estatal responsável pelo trânsito e pelo transporte público de Ribeirão Preto - Marcelo Galli era um dos defensores do projeto de eletrificação, ainda que parcial, da frota.
O recuo na compra dos 60 ônibus elétricos representa uma derrota política para o dirigente, que "sobreviveu" à troca de governo, já que comandou a empresa no governo Nogueira e seguiu no cargo com a eleição de Ricardo Silva.
"A intenção é que implante esse modelo de veículo na cidade, mesmo que seja de modo modesto, pois essa é uma tecnologia que chegou ao Brasil para ficar. Iremos analisar o desempenho como a autonomia de cada um dos veículos e o gasto energético", disse Galli, em 2024, após um dos testes com veículos eletrificados. Ao longo dos últimos três anos, foram testados ônibus fábricados na China e no Brasil.
A assessoria de comunicação da RP Mobi foi procurada para comentar sobre o projeto, que estava travado desde a mudança de gestão, mas "passou a bola" para a comunicação do prefeito.
A nota oficial da administração praticamente descarta a assinatura do contrato nos moldes do que foi aprovado pelo governo federal.