Ribeirão Preto mira eleger até 4 deputados na Alesp em 2026
Ausência de forasteiros abre espaço ao protagonismo de Duda Hidalgo (esquerda), Isaac Antunes (direita) e Léo Oliveira (Centro)
, atualizado
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A chegada de 2026 marca o início de uma corrida acirrada por vagas na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e Ribeirão Preto pode ter até oito candidatos ao cargo de deputado estadual: Alessandro Hirata (PSDB); André Rodini (Novo); André Trindade (UB); Duda Hidalgo (PT); Isaac Antunes (PL); Léo Oliveira (MDB); Perla Muller (PT); Rafael Silva Junior (PP ou PSD); além do já deputado Léo Oliveira (MDB), em busca da reeleição.
As ausências incluem Rafael Silva (PSD), que se aposenta em 2026, Maurício Gasparini (UB), que deve não concorrer estadual e tem convite da legenda para disputa ao legislativo nacional; Renato Zucoloto (PP), candidato derrotado nas ultimas duas eleições a vereança e deputado estadual. Forasteiros bem votados como Eduardo Suplicy (PT), que é dúvida no cenário da disputa, podem abrir espaço para candidaturas locais. O Republicanos deve ficar sem candidato de Ribeirão Preto, optando por filiado de outro domicilio eleitoral.
Partidos sem Candidatos de Ribeirão
Republicanos: Sem candidato local; apoia candidatura de Sebastião Santos (IURD) Igreja Universal Reino de Deus.
PSD: Até o momento o partido não anunciou candidato de Ribeirão Preto para substituir Rafael Silva devido a sua aposentadoria; muito provável que Rafael Silva Jr, que hoje integra o PP se transfira para o PSD em breve. Caso o fato se concretize o Progressista PP não deve ter candidato a estadual
Oportunidades Locais
A provável saída de políticos de fora do estado que detinham expressivo capital de votos — como Eduardo Suplicy (PT), André do Prado (PL) e Sebastião Santos (Republicanos), além de Mauricio Gasparini (UB), Capitão Brás (MDB) e Renato Zucoloto (PP) de Ribeirão — redistribui o eleitorado de modo quase matemático. Nos ciclos eleitorais anteriores, esses nomes somaram mais de 60 mil sufrágios na zona eleitoral 108. Agora, com esse contingente "órfão", os votos deverão se pulverizar entre os oito candidatos locais confirmados, fortalecendo o chamado "voto útil nativo" — voto de identificação geográfica que tende a privilegiar nomes da cidade em detrimento de figuras da capital ou de colégios eleitorais vizinhos.
O fenômeno favorece o fortalecimento das estruturas partidárias locais e deve gerar um efeito multiplicador entre candidatos do MDB, PSD/PP, PL e PT, legendas que possuem as maiores bases eleitorais na cidade e região. O reflexo direto é o aumento de "capilaridade política" de lideranças ribeirão-pretanas que até então dependiam de alianças externas para visibilidade estadual.
Impacto Duda Hidalgo
Entre as possíveis beneficiarias pela reconfiguração está a vereadora Duda Hidalgo (PT), hoje a principal figura progressista local. Em 2022, ela conquistou 22.325 votos, ficando entre os mais votados da cidade (2ª. Colocada), e deve receber um impulso direto pela saída de Eduardo Suplicy (PT) — que somou 9.240 votos na zona eleitoral local.
A transferência dessa base petista tradicional cria uma ponte geracional: jovens eleitores que se identificam com Duda e o eleitorado histórico de Suplicy, que tende a migrar para seu nome natural dentro do partido. Com isso, a candidatura de Duda desponta como uma das mais competitivas no campo progressista do interior paulista.
Dentro do mesmo espectro, a possível presença de Perla Müller, aliada progressista em ascensão, pode complementar o crescimento do bloco de esquerda, ampliando a presença feminina e geracional. Perla tende a disputar votos adjacentes, aproveitando o espaço de resistência a Duda Hidalgo em relação a pautas mais polêmicas. O PT enxerga na eleição de Duda a chance de consolidar uma nova liderança de interior, respaldada por uma base ideológica sólida e um eleitorado jovem e digitalmente engajado.
Vantagem de Isaac
Do outro lado do espectro político, a direita ribeirão-pretana se fortalece, mas também se fragmenta. O Partido Liberal (PL) perdeu duas peças estratégicas que foram decisivas em 2022: André do Prado, agora cotado para integrar a chapa majoritária do governo estadual como vice, e Lucas Bove, que enfrenta impedimentos legais e incertezas partidárias. Juntos, eles somaram quase 16 mil votos em Ribeirão Preto, ambos do PL, partido de Antunes.
Esses votos liberados criam uma avenida eleitoral para Isaac Antunes (PL), vereador e atual presidente da Câmara Municipal, nome em ascensão dentro da base bolsonarista do estado, apesar de André Rodini do Novo e André Trindade (UB) estarem no espectro da direita concorrendo por outra sigla. Alinhado ideologicamente e partidariamente aos ausentes do partido, Isaac pode herda naturalmente o perfil de eleitor conservador urbano, identificado com pautas de segurança, liberdade econômica e anti-establishment.