ENTRELINHAS DOS PODERES

, atualizado

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APERTEM O CINTO

Passada a eleição, a Prefeitura deve anunciar um contingenciamento para apertar as contas. A expectativa de excesso de arrecadação, que chegaria a R$ 180 milhões em 2026, consolidou-se em R$ 70 milhões. A diferença já pressiona o caixa e exige um ajuste fiscal urgente. Os sinais do aperto já são perceptíveis no cronograma de pagamentos da Fazenda Municipal. Apertem os cintos: o dinheiro sumiu.

DESAFIO 15KK

Quase R$ 15 milhões do Fundo Eleitoral foram destinados às campanhas de candidatos a deputado estadual e federal ligados a Ribeirão. O investimento só fará sentido se a cidade conseguir convertê-lo em representação: com ao menos mais uma cadeira na Alesp — quem sabe duas — e uma bancada federal ribeirão-pretana com votação expressiva no município, capaz de elevar o peso político local em Brasília. Esse é o sonho...

VOTO PREGUICINHA

A realidade é que Ribeirão pode voltar a carregar um número indigesto nas urnas: perto de 180 mil eleitores fora da votação, entre ausentes, votos brancos e nulos. A cidade já conviveu com abstenção superior a um terço do eleitorado e, se o roteiro se repetir, a falta de voto útil pode comprometer severamente as campanhas locais, principalmente as de deputado federal. Enquanto candidatos de fora chegam para buscar representatividade, Ribeirão corre o risco de abrir mão de parte dela pelo simples hábito de não votar.

ANTISSISTEMA

O Novo, que se apresenta como antissistema, viu R$ 30 mil da campanha de Ricardo Salles desembarcarem na candidatura de Hagara do Pão de Queijo, pelo Avante. O recurso veio de um doador originário que provavelmente não imaginava que sua doação terminaria naquela campanha. Na sequência, Hagara desenterrou a CPI das Ambulâncias, da gestão Duarte Nogueira. Curioso é que ele não disputa votos com o ex-prefeito, mas Marco Aurélio, do Novo, sim. No fim, o antissistema descobriu que campanha também se faz com encomenda, conexão e baldeação.

NÚMEROS INDIGESTOS

As projeções da coluna sobre os candidatos a deputado estadual e federal não agradaram a alguns dos mencionados. Houve quem contestasse os cálculos, quem reclamasse da régua e quem, discretamente, preferisse que a matemática fosse mais simpática. O colunista chegou a revisar as projeções, mas concluiu que já havia sido bastante generoso com os descontentes. Projeção não é santinho: não se distribui para agradar candidatos, mas para medir o tamanho da fila.

SINAL VERMELHO

Duas CPIs podem chegar ao fim logo depois das eleições, justamente quando o Ministério Público deve pedir esclarecimentos à Prefeitura sobre os semáforos instalados há mais de um ano e ainda desligados, a manutenção dos gradis dos corredores de ônibus e a fila de espera pelos serviços da Conecta. Ao mesmo tempo, o MP deve requisitar à Câmara Municipal informações sobre o que já foi apurado pelas CPIs da Conecta e dos Semáforos Inteligentes. Com exceção da Conecta, os gradis e os semáforos são responsabilidade da RP Mobi.

PROJETO BUMBO ZERO

Na última sessão da Câmara, vereadores confirmaram o veto do Executivo ao projeto de permuta entre a área da Braz Olaia Acosta e o prédio do Colégio Marista, enterrando de vez a tentativa de levar o centro administrativo para o Centro da cidade. Perla Müller (PT) e Daniel Gobbi (PP), cada vez mais próximos e autores das emendas que exigiam o pagamento de aluguel pelo novo inquilino e a criação de uma conta vinculada para os R$ 29,4 milhões a serem restituídos pelo Marista, dispensaram o bumbo político. O veto passou sem festa — e o centro administrativo ficou sem endereço novo.

GOBBI DE SAIAS

Há quem diga que Perla, por sinal, possuem alguns atributos presentes em Gobbi, e vice-versa. Rede de informação, contatos e inteligência política. Em comum, ainda, a capacidade de criar inimigos e ranço por parte dos seus pares. A conferir.