Simone Tebet fala ao Jornal Ribeirão durante evento no Centro Administrativo

Simone Tebet fala sobre obras, STF e campanha ao Senado em Ribeirão

, atualizado

Compartilhar notícia

Ex-ministra do Planejamento e candidata ao Senado pelo Estado de São Paulo
Ex-ministra do Planejamento e candidata ao Senado pelo Estado de São Paulo - Foto: Foto Divulgação
Ex-ministra do Planejamento e candidata ao Senado pelo Estado de São Paulo - Foto: Foto Divulgação

A pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet, esteve em Ribeirão Preto no dia 18 de setembro, acompanhada do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. A visita ocorreu no Centro Administrativo “Prefeito José de Magalhães”, onde, ao lado do prefeito Ricardo Silva, foram discutidos os investimentos e o andamento das obras da Via Leste-Oeste.

Durante a agenda, Simone Tebet concedeu entrevista ao Jornal Ribeirão e falou sobre a importância do projeto para a mobilidade urbana, além de destacar a necessidade de transparência na aplicação dos recursos públicos e de continuidade das obras. A pré-candidata também comentou os principais desafios de Ribeirão Preto e suas propostas para representar o interior paulista no Senado.

O Projeto de R$ 263 Milhões e o Futuro de Ribeirão Preto

Jornal Ribeirão: Ministra, a senhora acompanha hoje a assinatura deste contrato de R$ 263 milhões com a Caixa Econômica para a Zona Leste de Ribeirão Preto. Qual o próximo passo do Governo Federal para garantir que esses recursos se traduzam em obras rápidas, evitando os históricos atrasos em grandes projetos de infraestrutura urbana?

Simone Tebet: Hoje eu não falo mais pelo governo, estou aqui como candidata ao Senado. Mas já estive dos dois lados, como prefeita, esperando o dinheiro chegar, e como ministra, liberando. Assinatura de contrato é só o começo. O que importa é o dia em que a obra fica pronta e muda a vida de quem mora na cidade. Para chegar lá, o caminho é transparência total. A população precisa saber quanto foi gasto, o que já foi feito e o que falta. Obra que todo mundo acompanha anda mais rápido. No Senado, meu gabinete vai estar aberto para Ribeirão Preto, cobrando junto com a cidade que cada real contratado vire obra entregue.

Jornal Ribeirão: Além do viaduto estaiado e das intervenções no bairro Cândido Portinari, quais outros projetos estruturais nas áreas de mobilidade e saneamento o seu grupo político estuda trazer para Ribeirão Preto nos próximos anos?

Simone Tebet: Obra boa não pode ter dono. O primeiro compromisso é garantir que as obras que já começaram tenham continuidade, independentemente de quem esteja no governo. Os eventos climáticos estão cada vez mais extremos, e Ribeirão já sentiu isso nos últimos anos. Por isso, drenagem precisa entrar com força no planejamento da cidade. Como senadora municipalista, vou defender o aumento do Fundo de Participação dos Municípios, que é o dinheiro que chega livre para a prefeitura decidir onde investir. Só Ribeirão Preto ganharia quase R$19 milhões a mais por ano. Meu gabinete vai estar aberto para a prefeitura, para os vereadores e para as lideranças de Ribeirão apresentarem seus projetos. E vou lutar para que mais recursos cheguem direto ao município, sem depender de padrinho político.

Jornal Ribeirão: O projeto atual foca na mobilidade urbana local e no lazer. Como canalizar recursos federais para fortalecer o ecossistema de inovação, tecnologia e saúde de Ribeirão Preto, que já é um polo de referência nacional nessas áreas?

Simone Tebet: Ribeirão Preto é um laboratório. Tem pesquisa, tem talento e é referência em saúde e inovação. O desafio é garantir que esses talentos fiquem aqui. A reforma tributária ajuda muito nisso, porque dá condição para o estado de São Paulo voltar a atrair indústria e tecnologia. Na saúde, o problema não é falta de dinheiro. Sempre critiquei as emendas parlamentares sem transparência. Não sou contra as emendas, mas hoje são bilhões distribuídos sem critério, sem que ninguém saiba direito para onde vão. E onde falta transparência, sobra espaço para a corrupção. É dinheiro que faz falta na fila de exames e cirurgias de alta complexidade no SUS. Por isso, minha proposta é que metade das emendas vá para o Fundo de Participação dos Municípios, direto na mão do prefeito, para que não falte dinheiro para tratar câncer, doenças do coração e tantas outras em cidades como Ribeirão.

Jornal Ribeirão: Sendo Ribeirão Preto o coração da "Califórnia Brasileira", como novos projetos de infraestrutura logística — como a expansão do aeroporto e a reestruturação das marginais — podem ser incluídos no orçamento da União com a sua articulação?

Simone Tebet: Como ministra do Planejamento, deixei pronto um plano para o Brasil dos próximos 25 anos, feito com técnicos, especialistas, universidades e diversos setores da sociedade, com metas de longo prazo. O plano também olha para infraestrutura e logística. Um plano assim funciona como uma bússola: mostra aonde o país quer chegar e dá segurança para quem vai investir. O próximo passo é transformar esse plano em política de Estado, aprovada pelo Congresso, para que nenhum governo possa cancelar com uma canetada. No Senado, vou defender isso, porque o Brasil precisa mudar a cultura do planejamento. Meu papel vai ser garantir que esse plano chegue ao orçamento de cada ano, com espaço para os projetos de infraestrutura dos 645 municípios de São Paulo, Ribeirão entre eles.

Jornal Ribeirão: A senhora defende o equilíbrio entre a preservação e a produção. De que forma os futuros repasses para Ribeirão Preto podem incentivar a transição da frota de transporte público da cidade para matrizes energéticas mais limpas?

Simone Tebet: Preservar e produzir não são coisas opostas. A transição energética é uma grande oportunidade para o Brasil e para São Paulo. No transporte público, trocar ônibus a diesel por ônibus mais limpos custa caro, e boa parte desse recurso está em Brasília. Como ministra do Planejamento, ajudei a aprovar o financiamento para eletrificar os ônibus da capital do estado. No Senado, é esse tipo de apoio que quero dar para as cidades do interior paulista, como Ribeirão.

Como Pré-Candidata ao Senado por São Paulo

Jornal Ribeirão: Ministra, a senhora construiu sua carreira em Mato Grosso do Sul, mas agora concorre ao Senado pelo estado de São Paulo. Por que o eleitor de Ribeirão Preto deve confiar na sua representatividade para defender os interesses do interior paulista no Congresso?

Simone Tebet: Porque São Paulo já me abraçou. Em 2022, tive mais de 1,6 milhão de votos em São Paulo, proporcionalmente muito mais do que em qualquer outro estado. Mas minha história com o interior paulista vem de muito antes. Nasci na divisa do estado, conheço o noroeste paulista como a palma da minha mão e estou há 37 anos casada com um paulista de Birigui. Estudei aqui, minhas filhas moram aqui e eu pago imposto aqui. Quem vai decidir se eu mereço representar São Paulo é o eleitor, nas urnas.

Jornal Ribeirão: Como a senhora enxerga a importância geopolítica e econômica de Ribeirão Preto? De que maneira uma atuação sua no Senado seria diferente da atual bancada paulista no que diz respeito à defesa do agronegócio regional e das demandas das periferias urbanas?

Simone Tebet: Ribeirão é uma das cidades que puxam o interior paulista, e o interior é uma parte essencial do que São Paulo produz. Quero ser a voz que São Paulo hoje não tem em Brasília, e uma senadora tem que servir a todos, do produtor rural a quem mora na periferia. Tenho origem no agronegócio e sei o que o produtor enfrenta. No Senado, meu papel é fazer leis que deem segurança jurídica e regras claras para quem produz, ainda mais num cenário de incertezas geopolíticas e do tarifaço, que atinge diretamente o agro paulista. Na periferia, a maior angústia hoje é a segurança. O crime organizado chegou ao interior, às cidades médias e pequenas, e quem mais sofre é quem vive nos bairros mais pobres. Segurança pública vai ser prioridade no meu mandato.

Jornal Ribeirão: Em suas caminhadas pelo estado, qual o diagnóstico que a senhora faz sobre os principais gargalos de Ribeirão Preto? O que a cidade precisa cobrar de uma senadora eleita por São Paulo a partir de 2027?

Simone Tebet: Ribeirão é uma cidade forte, mas enfrenta desafios que vejo em todo o interior. O primeiro é a segurança: o crime organizado não está só na capital, está também no interior paulista. O segundo é o clima: as chuvas dos últimos anos mostraram que a cidade precisa se preparar. E o terceiro é fazer o dinheiro chegar na ponta com mais segurança e previsibilidade. O Brasil não tem falta de recursos, tem recursos mal distribuídos, e isso aparece na fila da saúde e nas obras que demoram a sair. O que Ribeirão deve cobrar de mim é presença. Quero que as pessoas digam: a Simone esteve aqui, trouxe recursos e defendeu os interesses do interior paulista.

Jornal Ribeirão: Suas pesquisas apontam um empate técnico acirrado na disputa pelas duas vagas ao Senado por SP. Como o apoio de lideranças locais de Ribeirão Preto, como a vereadora Duda Hidalgo, e de figuras de apelo popular, como Datena, impulsiona sua plataforma de centro no interior?

Simone Tebet: Pesquisa é fotografia do momento. O que me anima é ver que estamos firmes na disputa, inclusive aqui em Ribeirão. Sou muito grata à Duda, ao Datena e a todas as lideranças que estão caminhando comigo. Isso mostra o que é uma frente ampla: pessoas de histórias e partidos diferentes que concordam no essencial, que é defender a democracia, combater a corrupção e cuidar de quem mais precisa. Eu nasci numa cidade pequena do interior e fui prefeita duas vezes da minha cidade natal. Sei como a conta chega e o que pesa para as cidades do interior, longe da capital.

Jornal Ribeirão: O interior paulista costuma ter um eleitorado de perfil mais conservador e ligado ao agronegócio. Como a senhora planeja dialogar com o produtor rural de Ribeirão Preto, considerando sua trajetória de diálogo aberto com o setor produtivo?

Simone Tebet: Vou conversar com o produtor rural como sempre conversei, porque é de lá que eu venho: do campo, do agro. E o agro paulista é um orgulho para o Brasil, está sempre entre os primeiros em produtividade, porque tem tecnologia, pesquisa e gente preparada. O produtor quer ser ouvido e respeitado, independentemente de em quem votou. Diálogo não é concordar em tudo, é sentar à mesa com franqueza. Um parlamentar não deve impor prioridades, deve ouvir. É assim que vou trabalhar pelo produtor de Ribeirão e de todo o interior.

Jornal Ribeirão: Se eleita senadora, qual será o seu primeiro projeto de lei focado no fortalecimento fiscal e na autonomia financeira de municípios de grande porte, como Ribeirão Preto, para que dependam menos de repasses voluntários de Brasília?

Simone Tebet: A minha primeira bandeira é exatamente essa. Hoje, as emendas parlamentares somam mais de R$ 60 bilhões, quase um terço do dinheiro livre do governo federal. Esse dinheiro fica na mão de deputados e senadores e, em muitos casos, chega aos municípios pela porta do favor político. Minha proposta é transformar metade desse valor em Fundo de Participação dos Municípios, distribuído pelo tamanho da população e direto para o prefeito.

O Contexto Nacional e a Crise do STF

Jornal Ribeirão: Em entrevista recente ao Portal Terra, a senhora afirmou categoricamente que o STF precisa de um "freio de arrumação urgente e imediato". Na prática, se eleita senadora, quais medidas concretas a senhora pretende apoiar para conter os excessos regulatórios e institucionais da Corte?

Simone Tebet: O freio de arrumação é uma reforma do Judiciário, e ela tem pontos concretos. O primeiro é mandato com prazo determinado, de 12 anos. O segundo é idade mínima para a indicação, a partir dos 50 anos, para garantir experiência e maturidade. O terceiro é sobre as decisões individuais: uma vez tomada, a decisão de um ministro precisa ir o quanto antes para o plenário analisar, porque uma pessoa não pode substituir uma Corte de onze. O quarto é o fim dos penduricalhos que furam o teto. O quinto é um código de conduta claro para os ministros. Isso, para mim, é defender a democracia, a Constituição e o Estado de Direito.

Jornal Ribeirão: A senhora defendeu propostas como o fim da vitaliciedade para ministros do STF e a limitação de decisões monocráticas. Como o Senado Federal pode avançar com essa pauta sem gerar um conflito ainda maior e uma paralisia institucional entre os poderes?

Simone Tebet: Pelo caminho da Constituição. Reforma não é retaliação. As regras de mandato e de idade mínima devem valer para as próximas indicações, sem ser dirigidas contra ninguém. E o Congresso também precisa fazer a sua parte: assumir o seu papel e parar de empurrar para o Judiciário os assuntos difíceis que cabe a quem foi eleito decidir. Moderação e equilíbrio entre os poderes nunca foram tão necessários. O conflito maior é deixar a crise como está. Quando a confiança nas instituições cai e ninguém faz nada, aí sim o país paralisa. Eu presidi a CCJ do Senado e sei que é possível construir consenso quando o objetivo é o país.

Jornal Ribeirão: Diante do atual tensionamento entre o Congresso e o STF, a senhora declarou que "ninguém está acima da lei" e que denúncias de crimes de responsabilidade contra ministros devem ser devidamente apuradas. O impeachment de um ministro da Suprema Corte é uma ferramenta real ou deve ser evitado para preservar a estabilidade econômica?

Simone Tebet: Eu sou a favor de um STF forte, independente e respeitado, e justamente por isso ninguém está acima da lei. O impeachment é uma ferramenta prevista na Constituição. Assim como um presidente da República pode sofrer impeachment, um ministro do Supremo que eventualmente cometa uma ilegalidade também precisa responder. Mas impeachment não serve para punir ministro por suas decisões. Havendo indício de conduta irregular ou abuso de poder, cabe apuração, com ampla defesa. E não vejo contradição com a economia. Não existe estabilidade econômica sem estabilidade política, e instituições que funcionam dão segurança ao país.

Jornal Ribeirão: Como jurista, advogada e professora de Direito, como a senhora avalia o avanço de investigações conduzidas diretamente pelo STF, como as lideradas pelo ministro Alexandre de Moraes? Há abuso de poder ou os inquéritos são necessários para a defesa da democracia?

Simone Tebet: Investigação é necessária sempre que houver indício de crime, doa a quem doer. Todos têm que prestar contas, não importa partido ou ideologia.

Jornal Ribeirão: A senhora alertou que a instabilidade política gerada por essa "briga institucional" afasta o investimento estrangeiro e prejudica a economia nacional. De que forma o cidadão comum, que vive aqui em Ribeirão Preto, acaba pagando a conta dessa crise no Judiciário?


Simone Tebet: Quando falta segurança na relação entre os poderes, o país perde estabilidade política, e sem estabilidade política não existe estabilidade econômica. Isso afeta o ambiente de negócios e a confiança de quem quer investir. No fim, todos pagam a conta.

Jornal Ribeirão: Como equilibrar a independência dos poderes se o próprio processo de indicação dos ministros do STF passa pelo crivo político do Executivo e do Senado? A senhora defende uma mudança nas regras de escolha dos magistrados?

Simone Tebet:O modelo de indicação pelo presidente, com aprovação do Senado, pode funcionar bem. O que precisa mudar é a profundidade. Defendo aperfeiçoar o processo de escolha, com uma sabatina mais aprofundada, pública e transparente, e critérios objetivos: saber jurídico, experiência, independência e reputação ilibada. Somado ao mandato com prazo e à idade mínima, isso já equilibra muito a relação entre os poderes. E eu gostaria de ver uma Corte mais parecida com a sociedade brasileira, com mais mulheres.

Jornal Ribeirão: Em declarações recentes no rádio, a senhora apontou que o STF "envergonha" o país ao adotar "dois pesos e duas medidas". Pode citar exemplos de decisões recentes que, na sua visão, evidenciam essa disparidade de critérios adotada pela Corte?

Simone Tebet: O que eu defendo é um princípio geral. Não pode haver dois pesos e duas medidas. A lei tem que valer igual para todos, não importa o partido, o cargo ou o sobrenome. Quando a população sente que o critério muda conforme quem está sendo julgado, a confiança na Justiça cai. E é justamente para fortalecer o Supremo que defendo tempo de mandato fixo, idade mínima e um código de conduta claro.

Jornal Ribeirão: Seu principal oponente na disputa pelo Senado, Guilherme Derrite, adota um tom de forte oposição ideológica ao Judiciário. O que diferencia a sua proposta de "reforma urgente do Judiciário" do discurso de ruptura defendido pela ala mais à direita?

Simone Tebet: Tem muito político e candidato que aproveita a crise do STF para tirar a credibilidade da instituição e fazer denúncias levianas. Eu prefiro um outro caminho. O que eu defendo é uma reforma para fortalecer o Supremo, não para enfraquecê-lo. Quero um Supremo forte, independente e respeitado, e justamente por isso defendo mudanças com regras claras, valendo para todos e sem escolher inimigos. Criticar decisões faz parte da democracia, mas mudança se faz pelo caminho da Constituição. E a minha régua não muda conforme o lado. As suspeitas no caso Master envolvem gente de vários partidos, e todos precisam ser investigados, sem exceção, doa a quem doer.

Jornal Ribeirão: Diante de um cenário nacional tão polarizado, onde o debate sobre o STF se transformou em um palanque eleitoral, qual o papel do Senado a partir de 2027 para pacificar o país sem abrir mão de fiscalizar os magistrados da Suprema Corte?

Simone Tebet: O Senado é a Casa do equilíbrio da República, e precisa agir como tal. Pacificar não é passar pano, e fiscalizar não é fazer guerra. O papel do Senado a partir de 2027 é fazer avançar a reforma do Judiciário com serenidade, fazer sabatinas sérias e cumprir o seu dever de fiscalizar, sempre dentro da Constituição. E, para isso, o Senado precisa dar o exemplo, acabando com as emendas sem transparência e fazendo a sua própria autocrítica. Não dá para cobrar do outro poder o que a gente não faz em casa. O Brasil está cansado da briga.